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Política

Imposto de 1% sobre remessas já vale: como o brasileiro pode enviar dinheiro ao Brasil sem pagar a taxa

Desde 1º de janeiro de 2026, os EUA cobram um imposto federal de 1% sobre remessas enviadas ao exterior, mas só quando o envio é pago em dinheiro vivo, money order ou cashier's check. Quem fundeia a transferência por conta bancária ou cartão dos EUA fica isento — e economiza a taxa inteira.

Redação Brazuca News 27 de June de 2026, 00:15 3 visualizações
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Imposto de 1% sobre remessas já vale: como o brasileiro pode enviar dinheiro ao Brasil sem pagar a taxa
Foto: Hanna Pad / Pexels License

Desde 1º de janeiro de 2026, o governo dos Estados Unidos cobra um imposto federal de 1% sobre dinheiro enviado ao exterior. A taxa nasceu no One Big Beautiful Bill Act, que o presidente Donald Trump sancionou em 4 de julho de 2025, e atinge em cheio o brasileiro que sustenta família no Brasil. Mas há um detalhe que muda tudo no bolso: o imposto só incide quando o remetente paga a remessa em dinheiro vivo, money order ou cashier's check. Quem fundeia o mesmo envio por conta bancária ou cartão emitido nos EUA não paga nada.

O Internal Revenue Service (IRS) confirmou a regra ao publicar, em 10 de abril de 2026, as regulamentações propostas para o novo imposto, codificado na seção 4475 do código tributário. O texto descreve que a cobrança recai sobre quem entrega ao operador de remessa "cash, a money order, a cashier's check, or other similar physical instrument" — ou seja, instrumentos físicos. O sender é o responsável legal pelo tributo, e a empresa de transferência é obrigada a recolher o valor, fazer depósitos quinzenais ao Tesouro e declarar trimestralmente no Form 720.

O que paga e o que não paga

A diferença está em como você paga a transferência, não em quem recebe ou para onde vai. Provedores como Wise e Western Union, além das próprias regras do IRS, deixam a linha clara:

  • Paga o 1%: remessa fundeada com dinheiro vivo no balcão, money order ou cashier's check (cheque administrativo).
  • Não paga nada: remessa debitada de uma conta em banco dos EUA (transferência bancária, ACH ou wire) ou paga com cartão de débito ou crédito emitido nos Estados Unidos.

A lógica vem da redação final da lei: o Congresso restringiu o alcance do imposto a instrumentos físicos e isentou os envios em que o dinheiro sai de uma conta numa instituição financeira sujeita ao Bank Secrecy Act. Por isso, debitar da sua conta corrente ou usar um cartão americano tira o envio do raio da cobrança.

Quanto isso pesa por ano

O imposto é de 1% sobre o valor enviado, sem piso mínimo — segundo a Wise, vale para qualquer remessa em dinheiro, por menor que seja. Para uma família que manda US$ 1.000 por mês ao Brasil, a conta é direta: US$ 10 de imposto por envio em dinheiro, ou US$ 120 ao longo de um ano. Quem fundeia esses mesmos US$ 1.000 mensais a partir da conta bancária ou de um cartão dos EUA paga US$ 0 de imposto. A economia anual sai inteira do bolso de quem só muda a forma de pagar.

Vale lembrar que esse 1% é o imposto federal e não se confunde com as tarifas que o provedor já cobra pelo serviço e pelo câmbio. A taxa do governo aparece somada à transação na hora do envio em dinheiro; é a empresa que recolhe e repassa ao IRS.

O passo a passo para não pagar a mais

A maneira de zerar a taxa é fundear a remessa por um caminho isento. Na prática:

  1. Abra ou use uma conta bancária nos EUA. Com a conta, você pode debitar a remessa direto dela (ACH ou wire) em vez de levar dinheiro ao balcão. Imigrantes podem abrir conta com ITIN em vários bancos, mesmo sem Social Security Number.
  2. Pague com cartão de débito ou crédito emitido nos EUA. Ao iniciar o envio pelo app do provedor, escolha o cartão americano como forma de pagamento — não o pagamento em espécie.
  3. Evite o balcão com dinheiro, money order e cashier's check. São exatamente as três formas que disparam o 1%.
  4. Confira a forma de pagamento antes de confirmar. No resumo da transação, o provedor mostra como o envio será fundeado; o imposto só aparece nas opções em espécie.

Quem hoje envia em dinheiro porque é o que conhece tem aqui o maior ganho. A troca para conta ou cartão não muda o valor que chega ao parente no Brasil nem o destino — muda apenas a linha do imposto na sua fatura.

Por que a regra existe e a quem afeta mais

O imposto começou bem mais alto nas propostas: chegou a 5% e depois a 3,5% na Câmara antes de cair para 1% na versão sancionada. Mesmo reduzido, deve render perto de US$ 10 bilhões em dez anos, segundo estimativas citadas em análises do setor. O alvo é amplo: a taxa atinge qualquer remetente, independentemente do status migratório, desde que pague em espécie.

Os EUA abrigam a maior comunidade brasileira fora do país, e o Brasil recebeu cerca de US$ 4,7 bilhões em remessas por canais formais em 2024, segundo dados compilados pelo Banco Mundial — alta sobre os US$ 4,4 bilhões de 2023. Para a América Latina, o Inter-American Development Bank (IDB) registrou que, no primeiro semestre de 2026, ainda não havia sinal de impacto expressivo do imposto sobre o volume total, com os fluxos crescendo, embora mais devagar.

O Center for Global Development alerta para o efeito colateral: ao encarecer o envio em dinheiro, a medida pode empurrar parte das remessas para canais informais, fora de qualquer fiscalização. Para o brasileiro, o caminho seguro e legal de fugir do 1% não é o canal informal — é simplesmente fundear a remessa pela conta ou pelo cartão americano, opção isenta e prevista na própria lei.

Antes de mudar a forma de enviar, confirme com seu provedor como ele classifica cada método de pagamento, já que o IRS ainda finaliza as regras detalhadas após o período de comentários públicos encerrado em 12 de junho de 2026. A regra central, porém, já está valendo e clara: dinheiro vivo no balcão paga 1%; conta bancária e cartão dos EUA, não.

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