Pegue um quarter no bolso e procure uma letrinha perto do ano: se for um “D”, aquela moeda nasceu em Denver. A Denver Mint, a poucos quarteirões do centro da cidade, é a maior produtora de moedas do planeta, com capacidade para cunhar mais de 50 milhões de moedas por dia, segundo a própria U.S. Mint. O recorde veio no ano fiscal 2000: 15,4 bilhões de moedas em doze meses — mais do que qualquer instalação da Casa da Moeda americana já produziu.
A história começa com a corrida do ouro do Colorado. O Congresso criou a unidade em 1862 como escritório de ensaio de ouro, e a cunhagem de moedas só começou em 1º de fevereiro de 1906. No primeiro ano, saíram dali cerca de 2,1 milhões de moedas de ouro e prata — incluindo as lendárias “double eagles” de US$ 20 em ouro —, num total de US$ 17,9 milhões.
O prédio também guarda segredos: em 1935, recebeu 20 carregamentos com 57 milhões de onças de ouro vindos de São Francisco para custódia, e a função de depósito de ouro do governo continua até hoje. Nas moedas, a letra conta a origem: “D” é Denver, “P” é Filadélfia, “S” é São Francisco.
O detalhe que quase nenhum brasileiro de Denver conhece: a Denver Mint oferece tour gratuito ao público — um dos únicos lugares dos Estados Unidos onde se vê dinheiro sendo fabricado. As vagas são disputadas e a reserva precisa ser feita com antecedência no site da U.S. Mint; adultos entram com documento com foto. É programa de sábado que rende dois troféus: ver bilhões em produção e impressionar qualquer criança mostrando o “D” no quarter do estacionamento.