Os Estados Unidos vão aplicar tarifa de 25% sobre a maioria dos produtos importados do Brasil a partir de 22 de julho de 2026, segundo o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A ação segue uma investigação de um ano sob a Seção 301 da lei comercial americana, que autoriza tarifa contra país acusado de prática comercial desleal.
O que motivou a decisão
A investigação concluiu que o Brasil mantém práticas que prejudicam o interesse comercial americano em áreas como comércio digital, pagamento eletrônico, proteção de propriedade intelectual, fiscalização anticorrupção, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal, segundo a KPMG, que acompanha o processo. O presidente autorizou a aplicação da tarifa em 15 de julho, após determinação de 1º de junho de que as práticas brasileiras "sobrecarregam ou restringem o comércio" americano.
O que fica de fora
Nem todo produto brasileiro é atingido: carne bovina, café, materiais de terras raras, peças de aeronave e alguns produtos de óleo e gás ficam isentos da nova tarifa, segundo a Al Jazeera. A lista técnica de isenções, segundo a KPMG, também inclui itens como certos produtos farmacêuticos, mel, ferro-gusa, café solúvel e roupa usada — mas retirou da isenção final a polpa de celulose de alta pureza, que havia sido cogitada inicialmente.
Brasil chama decisão de politicamente motivada.
O governo brasileiro rejeitou a alegação americana como infundada e prometeu contramedidas, levando o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), segundo a Al Jazeera. O chanceler brasileiro chamou as acusações de "inaceitáveis e ofensivas", afirmando que o Brasil "participou das investigações" apesar de discordar delas, e negociou "de boa-fé" desde o início — criticando também os Estados Unidos por exigir acesso a setores inteiros da economia brasileira sem oferecer concessão recíproca.
Contexto da relação comercial.
A tarifa chega mesmo com os Estados Unidos mantendo superávit comercial crescente com o Brasil — US$ 14,4 bilhões em 2025, ante US$ 7,7 bilhões em 2024, segundo a Al Jazeera. Autoridades brasileiras associam publicamente a decisão à disputa política entre os dois países, incluindo a repercussão do processo brasileiro contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, aliado do governo americano.
O que muda a partir de 22 de julho?
Produtos que entram nos Estados Unidos por zona de comércio exterior precisam adotar "status estrangeiro privilegiado", a menos que se enquadrem em "status doméstico", segundo a KPMG — detalhe técnico que afeta principalmente empresa importadora, mas que sinaliza o alcance amplo da nova tarifa sobre o comércio entre os dois países a partir da data definida.
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