Um incêndio florestal varreu durante a noite uma comunidade de estrangeiros no sul da Espanha e matou ao menos 12 pessoas. Oito ficaram feridas, quatro delas em estado grave. O líder regional da Andaluzia, Juanma Moreno, falou em 23 desaparecidos — número que o ministro do Interior tratou como preliminar, com apenas três registros oficiais de desaparecimento. A Al Jazeera cita 19. O balanço seguia provisório.
O fogo começou na noite de quinta-feira, numa área semiárida perto da serra de Los Filabres, na província de Almería, sob calor extremo. É um dos incêndios mais letais da história da Espanha.
A parte que interessa a quem mora em área de mato
Aqui está a informação que pode salvar a vida do leitor no Colorado ou em Washington, onde a temporada de incêndio já começou.
A maioria das vítimas morreu depois de ignorar a ordem de se abrigar no local e tentar fugir tarde demais, afirmou Antonio Sanz, chefe dos serviços de emergência da Andaluzia. Algumas tentaram escapar por um leito de rio seco que, nas palavras dele, "virou uma armadilha mortal".
Quatro pessoas morreram dentro de um veículo. Outras sete morreram a pé, depois de abandonar os carros.
Não é a primeira vez. Em 2017, no incêndio de Pedrógão Grande, em Portugal, 66 pessoas morreram — 47 delas numa única estrada, tentando escapar de carro.
A lógica é cruel e simples: o fogo corre mais rápido que o carro num engarrafamento, e a fumaça mata antes das chamas. Quando a ordem oficial é "abrigue-se", sair na estrada é trocar uma chance por nenhuma. Quando a ordem é "saia agora", cada minuto de hesitação fecha a janela — e é por isso que os avisos de evacuação nos Estados Unidos vêm com aquele texto seco: "este pode ser o seu único aviso".
O que aconteceu em Almería?
Cerca de 150 bombeiros e 220 militares da unidade de emergências do Exército espanhol combatiam as chamas, que já haviam consumido mais de 3.200 hectares de floresta e área agrícola. O prefeito de Los Gallardos, Francisco Reyes, relatou evacuações e o avanço do fogo em direção a um camping com 400 a 500 pessoas.
"É principalmente mato e capim esparto. Está tudo extremamente seco por causa das ondas de calor, o que o torna o combustível perfeito; combinado com o vento, é uma bomba-relógio", disse Moreno.
Quatro das vítimas seriam britânicas — a dedução veio da direção do carro queimado estar do lado direito, o padrão do Reino Unido. "Tudo indica que as vítimas eram, na maioria, se não inteiramente, estrangeiras", disse Sanz.
A causa está sob investigação. A imprensa local aponta a possibilidade de uma linha de energia caída ter incendiado a vegetação seca.
"A dor é imensa. "A Andaluzia está de luto", disse Sanz.
O calor que alimenta o fogo
A Europa Ocidental enfrenta a terceira onda de calor em seis semanas. Só em junho, a Espanha teve vários dias de calor recorde e mais de mil mortes em excesso atribuídas ao calor. O continente é o que aquece mais rápido no mundo — o dobro da média global desde os anos 1980, segundo o serviço europeu Copernicus.
Na França, o pico da terceira onda de calor do verão trouxe 40°C ao oeste e ao centro do país. Incêndios no sul chegaram a atrapalhar o Tour de France, e o maior deles, nos Pirineus orientais, queimou cerca de 5.000 hectares e forçou a evacuação temporária de mais de 10 mil pessoas.
Se o alerta chegar até você,
- Saia no primeiro aviso, não no último. Quem espera para ver a fumaça já perdeu a estrada.
- Se a ordem for abrigar-se, abrigue-se. Ela é dada quando fugir já é mais perigoso que ficar.
- Nunca abandone o carro no meio do fogo para correr a pé. Foi assim que morreram sete pessoas em Almería.
- Mochila pronta: documentos, remédios, carregador, água e uma cópia dos telefones importantes no papel.
- Cadastre-se nos alertas do seu condado. No Colorado e em Washington, o aviso chega por mensagem — mas só se o seu número estiver lá.
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