Se você é cidadão ou residente legal nos Estados Unidos e está patrocinando o green card de um parente que ainda mora no Brasil, há uma notícia que precisa entrar no seu radar - mesmo que ela não esteja no noticiário todo dia. Desde 21 de janeiro de 2026, o Departamento de Estado americano suspendeu a emissão de vistos de imigrante para nacionais de 75 países. E o Brasil está na lista, ao lado de nações como Rússia, Irã e Somália.
Na prática, isso significa que muitas famílias brasileiras estão "presas do lado de lá". O parente pode até completar o processo e comparecer à entrevista no consulado, mas o visto simplesmente não é emitido. Quem esperava juntar a família nos próximos meses viu o relógio parar.
O que exatamente foi suspenso
A medida foi anunciada em 14 de janeiro de 2026 e entrou em vigor no dia 21. Segundo o Departamento de Estado, a pausa serve para reavaliar os critérios de "public charge" - a regra que avalia se a pessoa teria "alto risco" de depender de benefícios públicos do governo americano no futuro.
Um ponto importante para tranquilizar parte dos nossos leitores: a suspensão atinge apenas os vistos de imigrante (os que levam ao green card via consulado). Vistos de turista e estudante não foram suspensos. E há um detalhe que muita gente não percebe: as entrevistas continuam acontecendo normalmente - o que parou foi a emissão do visto no fim do processo. Ou seja, sua família pode ser convocada, comparecer e, ainda assim, sair sem o visto na mão enquanto a pausa durar.
Quem sente o golpe são, sobretudo, os familiares de cidadãos e residentes que aguardam no exterior: cônjuges, filhos e pais. É a reunião familiar que fica em compasso de espera, sem data definida para terminar.
Atenção: isso é diferente da decisão de Rhode Island
Nas últimas semanas circulou bastante a notícia de uma vitória judicial em Rhode Island contra políticas do USCIS que travavam green cards e autorizações de trabalho. É importante separar as coisas. Aquela decisão trata de casos dentro dos Estados Unidos. Ela não restaura o processamento consular nem desfaz a suspensão dos 75 países. Se o seu parente espera no Brasil, esse precedente, sozinho, não resolve o caso dele.
Há litígio - e há esperança calibrada
A suspensão está sendo contestada na Justiça. Uma ação federal ampla - o caso CLINIC v. Departamento de Estado, movido por organizações como o National Immigration Law Center, a Democracy Forward e a The Legal Aid Society em nome de cidadãos americanos que patrocinam parentes - pede para bloquear e anular a pausa, sob o argumento de que ela cria um banimento por nacionalidade e substitui a análise individual de "public charge" prevista em lei por um critério mais amplo e sem autorização legal. Esse caso central ainda está pendente.
Houve, sim, uma vitória pontual. No caso Ullah v. LaFave, o juiz federal Leo T. Sorokin, do distrito de Massachusetts, concedeu em 2 de junho de 2026 uma liminar entendendo que a pausa "viola a lei federal de imigração ao se sobrepor à autoridade de adjudicação individual que o Congresso conferiu aos oficiais consulares". Mas é preciso ler com cuidado: essa foi uma de apenas duas liminares desse tipo concedidas no país e vale apenas para o autor daquela ação específica. Não derrubou a suspensão para todo mundo. Em outras palavras, é um sinal de que os tribunais podem questionar a medida - não uma garantia de reversão.
O que você deve fazer se patrocina um parente no Brasil
- Não compre passagem nem feche nada antes de o visto ser efetivamente emitido. Mesmo com entrevista marcada ou já realizada, o visto pode não sair. Evite prejuízo financeiro e frustração.
- Mantenha o caso ativo. Continue enviando documentos e comparecendo às entrevistas quando convocado - o processamento administrativo segue durante a pausa, e você não quer perder prazos por inação.
- Procure um advogado de imigração de confiança. Cada caso tem particularidades (categoria de visto, dupla nacionalidade, situação familiar). Só um profissional pode avaliar se vale a pena considerar litígio individual, como no caso Ullah, ou aguardar.
- Acompanhe comunicações oficiais do consulado e do Departamento de Estado, e desconfie de quem promete "destravar" o visto rapidinho mediante pagamento.
A pausa segue em vigor, sem data anunciada para acabar. Para a comunidade brasileira, o recado é de cautela e organização: nada de decisões precipitadas, e sim acompanhamento próximo do caso, com orientação jurídica. Vamos seguir monitorando as decisões judiciais e qualquer mudança na política consular e trazendo as atualizações aqui.
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