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Política

Trump ameaça demitir procuradora que desmontou versão de vandalismo no Espelho d'Água; Pirro segue no cargo por um fio

Jeanine Pirro, procuradora federal de Washington, arquivou a acusação contra um ex-atleta olímpico ao concluir que o dano ao Espelho d'Água veio de uma reforma malfeita, feita sem licitação. Trump disse que ela 'dobrou como um guarda-chuva', e fontes falam em remoção 'altamente provável' — até esta quarta (5), sem desfecho.

Redação Brazuca News 05 de August de 2026, 13:09 7 visualizações
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Trump ameaça demitir procuradora que desmontou versão de vandalismo no Espelho d'Água; Pirro segue no cargo por um fio
Foto: James L / Pexels License

O presidente Donald Trump ameaçou publicamente demitir Jeanine Pirro, procuradora federal (U.S. Attorney) do Distrito de Columbia, depois que o gabinete dela arquivou as acusações de vandalismo no Espelho d'Água do Lincoln Memorial — e concluiu que o estrago foi causado por uma reforma malfeita, contratada pelo próprio governo sem licitação. Até esta quarta-feira (5), Pirro segue no cargo: sem demissão formal, sem renúncia, sem sucessor indicado e sem garantia de permanência da Casa Branca.

"Ela amarelou" e "dobrou como um guarda-chuva", disse Trump a repórteres na segunda-feira (3), sobre a decisão da procuradora. Fontes disseram à CNN que o presidente estava "furioso" e que é "altamente provável que ela seja removida do cargo". Na mesma noite, uma reunião tensa no Salão Oval, com Pirro e o secretário do Interior, Doug Burgum, terminou sem desfecho.

O estopim foi protocolado na sexta-feira anterior (31 de julho) e anunciado no sábado (1º): o gabinete de Pirro pediu o arquivamento da acusação de crime federal contra David Hearn, ex-canoísta olímpico de 67 anos, que respondia por destruição de propriedade do governo — pena de até 10 anos. O documento, de cerca de 20 páginas, conclui que o dano ao espelho veio de uma "instalação apressada e falha" do revestimento, "com falhas repetidas da lona durante a instalação e descascamento extenso por todo o Reflecting Pool" — não de vandalismo.

A reforma foi executada pela Atlantic Industrial Coatings, empresa da Virgínia, em contrato sem licitação cujo valor as reportagens situam entre US$ 13,1 milhões e US$ 16 milhões. A obra foi acelerada para ficar pronta antes das festas do "America 250", em 4 de julho — e algas e descascamento da pintura apareceram dias depois da entrega. Segundo a cronologia reconstituída pela Al Jazeera, em 11 de junho um engenheiro do National Park Service já registrava a lona descascando, oito dias antes do suposto ato de vandalismo de Hearn.

Ao menos sete pessoas chegaram a ser presas ou autuadas por supostos danos ao espelho. Os advogados de Hearn afirmam que quem causou o estrago foi a "reforma malfeita" do governo, não o cliente deles.

Trump sustenta a versão do vandalismo. "Discordo 100% de Jeanine Pirro", escreveu no Truth Social, onde afirmou que "o dano principal foi causado por VÂNDALOS!" e postou um vídeo de segurança pouco nítido. Burgum insiste que houve vandalismo captado em vídeo e diz que o Departamento do Interior entregou todas as provas; Pirro, por sua vez, culpou o Interior por informação inicial incompleta ao seu gabinete.

A ameaça não é gesto isolado. Em 23 de julho, Trump demitiu Roger Rogoff, procurador federal em Seattle, um dia depois de juízes federais o confirmarem no posto, segundo a CBS News. Pirro, de 75 anos, ex-apresentadora da Fox News, foi confirmada como procuradora de Washington em agosto de 2025 — indicada pelo próprio Trump.

Por que importa

Procuradores federais decidem os processos criminais que mais alcançam imigrantes — reentrada ilegal, fraude de documentos — e a pressão de um presidente para que acusações sigam a narrativa política, e não a evidência, é risco direto para qualquer réu, incluindo brasileiros. O caso ainda expõe o outro lado da conta: um contrato público sem licitação que falhou em semanas e quase resultou na condenação de pessoas que o próprio Departamento de Justiça agora considera inocentes do dano. A situação segue em aberto — sem garantia da Casa Branca, a demissão pode se consumar a qualquer momento.

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