O conselho do RTD, a agência de transporte público da região metropolitana de Denver, aprovou na noite de 29 de julho a construção do orçamento de 2027 com uma meta de US$ 20 milhões em cortes de serviço de ônibus e trem. A votação terminou em 9 a 6. Na mesma reunião, os conselheiros rejeitaram a proposta de estudar um aumento de tarifas — ou seja, o passageiro vai perder frequência em algumas linhas, mas não vai pagar mais caro.
O corte aprovado equivale a pouco menos de 6,5% das horas de serviço de ônibus da agência. É bem menos do que a equipe financeira do RTD havia recomendado: US$ 62 milhões em cortes, cerca de 20% do serviço. O conselho preferiu a versão mais branda, empurrando parte do problema para os próximos anos.
Um buraco de US$ 215 milhões.
O RTD enfrenta um déficit projetado de US$ 215 milhões a partir de 2027, segundo o Denverite. Sem nenhuma ação, o rombo acumulado pode chegar a US$ 900 milhões até 2030. A agência já eliminou 80 posições do seu quadro de pessoal como parte do aperto, de acordo com a CBS Colorado.
O aumento de tarifa que o conselho rejeitou renderia cerca de US$ 8 milhões por ano — pouco diante do tamanho do buraco. Conselheiros contrários argumentaram que cobrar mais caro por um serviço reduzido afastaria ainda mais passageiros.
O que pode ser cortado
A lista final de cortes ainda não existe, mas alguns serviços já estão na mira, segundo o Denverite:
- O 16th Street FreeRide, o ônibus gratuito do centro de Denver;
- trechos curtos de linhas de trem do sistema FasTracks;
- diversas linhas locais de ônibus de menor movimento;
- Opções do FlexRide, o serviço sob demanda que cobre bairros sem linha fixa.
Na audiência pública, usuários defenderam justamente o FlexRide. "O FlexRide não é só um serviço de transporte, é uma parte essencial da comunidade que ajuda as pessoas a permanecerem conectadas", disse uma passageira citada pela Denver7.
As linhas de grande volume tendem a sair ilesas. O trem A Line, que liga a Union Station ao aeroporto internacional de Denver, e o ônibus 15, da Colfax Avenue, estão entre os serviços que a agência deve preservar — os dois carregam boa parte de quem trabalha no aeroporto, em hotéis, restaurantes e na construção, onde a comunidade brasileira é numerosa.
Como a escolha será feita
Segundo a Denver7, a equipe do RTD vai usar quatro critérios para decidir o que cortar: preservação do número de passageiros, necessidades de transporte de cada região, custo por embarque e duplicação de serviço. Linhas caras e vazias que correm paralelas a outras são as candidatas mais óbvias.
O conselho também aprovou seguir com um piloto de serviço para grandes eventos em parceria com o Denver Broncos, que pode trazer de volta o "Broncos Ride", o esquema de ônibus para os jogos.
O que vem a seguir
O cronograma dá tempo para o passageiro se manifestar. A proposta de orçamento será apresentada entre o fim de setembro e o início de outubro, o voto final do conselho acontece em dezembro, e as mudanças de serviço só entram em vigor em maio ou junho de 2027. Até lá, nada muda nas linhas atuais.
Para quem depende do RTD todos os dias, o recado prático é este: a tarifa segue congelada, o trem do aeroporto e os corredores principais devem continuar, mas quem usa linhas locais de bairro ou o FlexRide deve acompanhar a lista de cortes que sai no outono — e as audiências públicas de dezembro serão a última chance de defender uma linha antes do voto final.
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