O Conselho Municipal de Seattle aprovou por unanimidade, em 21 de julho, enviar à cédula de novembro a chamada 2026 Seattle Transit Measure, proposta que renova e amplia por dez anos o financiamento do transporte público da cidade. A votação foi de 9 a 0. A decisão final passa agora aos eleitores no pleito de novembro de 2026.
A medida mexe no imposto sobre vendas destinado ao transporte, que subiria de 0,15% para 0,3% — o dobro da alíquota atual. A prefeitura estima arrecadar cerca de US$ 138 milhões por ano ao longo da próxima década. Segundo a KUOW, o custo adicional ficaria em torno de US$ 58 por ano para um domicílio de dois moradores com renda mediana.
Mais ônibus e mais viagens.
O pacote expande o serviço de ônibus na cidade de cerca de 180 mil viagens por ano, no contrato que expira, para 280 mil viagens anuais — alta de 47%. São aproximadamente 100 mil viagens a mais por ano, com foco em maior frequência de linhas e horários ampliados.
Para quem depende do ônibus para trabalhar, levar os filhos à escola ou chegar a consultas, mais viagens costumam significar esperas menores e rotas mais confiáveis. É um ponto sensível em bairros onde parte dos moradores não tem carro ou divide um único veículo na família.
Um dos eixos centrais para famílias de baixa renda é a ampliação do passe de transporte subsidiado. Pelo texto aprovado, o Conselho Municipal informou que a medida acrescenta passes totalmente subsidiados para 12 mil moradores de Seattle. A KUOW descreveu o programa como oferta de cartões ORCA gratuitos a pessoas em situação de necessidade.
O ORCA é o cartão único usado para pagar ônibus, o trem leve (Link) e balsas na região metropolitana. Um passe gratuito ou subsidiado corta um gasto fixo do orçamento mensal de quem usa transporte público todos os dias.
A proposta também reserva recursos para segurança no transporte, seguindo recomendações do King County Regional Transit Safety Task Force, além de melhorias de acessibilidade e de infraestrutura.
O plano prioriza ônibus elétricos no Duwamish Valley e no sul de Seattle, regiões com forte presença de comunidades imigrantes e de trabalhadores.
A medida em vigor foi aprovada pelos eleitores em 2020 e expira em abril de 2027, o que explica o calendário da renovação. A nova versão passou pelo Select Committee on the Seattle Transportation Benefit District em 16 de julho, sob presidência do vereador Rob Saka, do Distrito 1, antes de ir ao plenário.
O debate girou em torno do peso do imposto sobre vendas. “Não é difícil apoiar o transporte. "A dificuldade é a questão da acessibilidade financeira", disse a vereadora Maritza Rivera, do Distrito 4. Ela acrescentou: “É muito difícil pedir aos nossos moradores, incluindo os de baixa renda, que se taxem por meio de um imposto sobre vendas.”
O vereador Eddie Lin, do Distrito 2, defendeu o investimento: “Um bom transporte é a força vital de uma cidade de classe mundial.”
Saka resumiu o acordo em nota: “Esta medida reflete o que pode acontecer quando trabalhamos juntos para entregar soluções práticas aos moradores de Seattle.” A proposta foi apresentada pela prefeita Katie Wilson.
Para o eleitor, a conta tem dois lados. De um lado, o imposto sobre vendas recai sobre todo mundo que compra na cidade, inclusive quem ganha menos. De outro lado, o passe subsidiado e as viagens extras tentam devolver parte desse valor a quem mais anda de ônibus. A palavra final fica com as urnas em novembro de 2026.
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