A partir de 1º de outubro de 2026, o Health First Colorado, programa de Medicaid do estado, deixa de oferecer cobertura completa a vários grupos de imigrantes que hoje têm plano. A mudança decorre de uma alteração na lei federal de Medicaid e atinge pessoas que estavam regularmente inscritas.
Segundo o próprio Health First Colorado, perdem a cobertura completa a maioria dos refugiados, asilados e pessoas com parole humanitário, além de requerentes sob a Lei de Violência Contra a Mulher (VAWA) e sobreviventes de tráfico de pessoas. Entram nessa lista, por exemplo, afegãos que ajudaram operações militares dos EUA e pessoas que fugiram da guerra na Ucrânia com parole.
Nem todo mundo é afetado. Continuam com Medicaid os cidadãos e nacionais dos EUA, os portadores de green card que cumpriram a espera de cinco anos, os migrantes dos Estados Livremente Associados (Ilhas Marshall, Micronésia e Palau) e determinados entrantes cubanos e haitianos.
Crianças e gestantes seguem protegidas.
O estado deixa claro que crianças de até 18 anos e mulheres grávidas — ou que estiveram grávidas nos últimos 12 meses — podem continuar cobertas, independentemente da situação imigratória, por regras existentes do Medicaid ou por programas estaduais. Ou seja, uma família pode ter o adulto cortado da lista e, ao mesmo tempo, manter os filhos e a gestante amparados.
Antes de qualquer corte, o Health First Colorado promete enviar uma carta a quem for afetado. Por isso, manter o endereço e os dados de contato atualizados é o primeiro cuidado prático.
O que fazer antes de 1.º de outubro?
O estado recomenda algumas providências para quem pode perder a cobertura:
- Atualizar as informações de cadastro pelo portal Colorado PEAK ou no escritório do condado.
- Agendar consultas médicas e renovar receitas de remédios de uso contínuo enquanto o plano ainda vale.
- Ficar atento às cartas oficiais do Health First Colorado, que avisam sobre a mudança.
- Procurar organizações locais de apoio a imigrantes para orientação sobre as próximas opções.
Quem perder o Medicaid completo não fica necessariamente sem qualquer atendimento. Continuam disponíveis o Medicaid de Emergência, que cobre situações de risco de vida, e serviços de saúde reprodutiva. Centros de saúde comunitários também atendem sem exigir situação imigratória regular.
Programas estaduais que continuam
O Colorado mantém, com dinheiro do próprio estado, dois programas que independem da regra federal. O Cover All Coloradans oferece cobertura no modelo Medicaid a crianças e gestantes que não se enquadram no Medicaid tradicional por causa da situação imigratória. Segundo o The Colorado Sun, o programa chegou a cerca de 20 mil crianças e 7 mil gestantes inscritas — muito acima da projeção original, de 3.700 pessoas.
Há ainda o OmniSalud, plano vendido pelo mercado estadual a imigrantes de qualquer situação com renda abaixo de 150% da linha federal de pobreza. Pela reportagem do Aspen Times, o programa atende cerca de 12 mil pessoas com subsídio, mas enfrenta pressão de orçamento nos próximos anos.
O custo desses programas cresceu rápido. O The Colorado Sun apurou que o Cover All Coloradans, orçado em US$ 14,7 milhões para o ano fiscal, chegou a US$ 104,5 milhões, uma diferença de 611% acima da estimativa inicial. Esse aumento ajuda a explicar por que as regras de acesso estão sob revisão em Washington e no estado.
Para famílias brasileiras no Colorado, a orientação prática é não esperar a carta chegar para agir. Conferir hoje em que categoria cada membro da família se encaixa, atualizar o cadastro no Colorado PEAK e resolver consultas e remédios pendentes reduz o risco de ficar sem cobertura na virada de outubro. Em caso de dúvida sobre elegibilidade, os centros de saúde comunitários e os navegadores de plano do estado ajudam sem custo.
Comentários
Faça login para comentar
EntrarSeja o primeiro a comentar!