O governo dos Estados Unidos quer cobrar quase o dobro para transformar residentes permanentes em cidadãos. Uma proposta do Departamento de Segurança Interna (DHS) publicada em 23 de junho eleva a taxa do formulário N-400, o pedido de naturalização, e retira as duas saídas que hoje aliviam esse custo para quem ganha pouco: o desconto para baixa renda e a isenção total. O prazo para o público comentar a mudança termina em 24 de agosto.
Pela regra atual, o N-400 custa US$ 760 no papel e US$ 710 pela internet. A proposta sobe esses valores para US$ 1.330 e US$ 1.280, uma alta de cerca de 75% a 80%. O formulário N-336, usado para pedir uma audiência quando a naturalização é negada, também encarece: sairia de US$ 830 para US$ 1.475 no papel e de US$ 780 para US$ 1.425 online.
O que some: desconto e isenção.
Hoje, quem tem renda familiar entre 150% e 400% da linha federal de pobreza pode pagar uma taxa reduzida de US$ 380 no N-400. Quem fica em 150% ou abaixo, ou recebe um benefício sujeito a teste de renda, pode pedir isenção total com o formulário I-912. A proposta apaga as duas opções para o N-400 e para o N-336. Continua de pé apenas a dispensa prevista em lei para militares da ativa e veteranos que se naturalizam pelas regras das Forças Armadas.
Na prática, um trabalhador que hoje pagaria US$ 380 (ou nada, com a isenção) passaria a enfrentar uma conta acima de US$ 1.200. Para famílias que dividem o orçamento entre aluguel, escola e envio de dinheiro ao Brasil, essa diferença decide se o pedido de cidadania cabe neste ano.
Nada muda hoje.
A proposta ainda não vale. Enquanto não sai a regra final, valem as taxas de agora, com desconto e isenção incluídos. O DHS abriu 60 dias de comentários públicos, que se encerram em 24 de agosto. Depois disso, a agência precisa ler as manifestações antes de publicar a versão definitiva, que pode manter, ajustar ou recuar da ideia e que só passa a valer na data que ela mesma marcar.
Por que isso pesa para o brasileiro?
Denver, Seattle e as regiões ao redor concentram milhares de brasileiros com green card, muitos deles perto de completar o tempo mínimo para pedir a cidadania. A naturalização abre a porta para votar, tirar passaporte americano, patrocinar parentes com mais facilidade e sair do alcance de processos de deportação. Para quem controla cada dólar, a distância entre US$ 380 e mais de US$ 1.300 pode adiar o pedido por anos.
Adam Klein, ex-funcionário do DHS, resumiu a crítica ao dizer que elevar tanto as taxas corre o risco de tornar a cidadania um benefício menos acessível a quem tem recursos modestos. O DHS defende que os valores precisam refletir o custo real de processar os pedidos.
O que fazer agora?
Quem já cumpre os requisitos e se encaixa no desconto ou na isenção tem um motivo concreto para não deixar o pedido dormindo. Antes de correr, vale conferir o básico:
- Tempo de green card: em geral, cinco anos como residente permanente, ou três anos para quem é casado com cidadão americano e mora junto.
- Presença física e residência contínua nos EUA durante o período exigido.
- Bom caráter moral, inglês e teste de educação cívica, itens que pesam mais do que a data de envio.
Enviar o N-400 com pressa e com erro custa mais caro do que esperar. Um pedido mal montado pode ser negado, e aí entra o N-336, que também vai ficar mais salgado. Para quem tem dúvida sobre elegibilidade, uma consulta com advogado credenciado ou com organização sem fins lucrativos reconhecida pelo governo evita retrabalho e prejuízo.
Como comentar a proposta?
O período de comentários é público e vale para qualquer pessoa, inclusive residentes permanentes e entidades comunitárias. As manifestações entram pelo portal federal de regulamentação, com base no número do processo da regra, até 24 de agosto. Comentários bem fundamentados, com dados sobre o impacto em famílias de baixa renda, costumam ter mais peso na análise da versão final.
A mudança nas taxas de cidadania se soma a outras altas de 2026, quando novas cobranças criadas por lei recairão sobre asilo, autorização de trabalho e outros pedidos. Para o imigrante brasileiro, o recado prático é acompanhar o calendário: o que hoje cabe no orçamento pode entrar em outra faixa de preço quando a regra final aparecer.
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