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Terremotos na Venezuela matam milhares e deixam 1,8 milhão precisando de ajuda, diz ONU

Dois tremores de grande magnitude atingiram o centro-norte da Venezuela em 24 de junho, devastaram La Guaira e a costa do Caribe e mataram milhares de pessoas. O balanço oficial subiu a 2.595 mortos, mas peritos e o modelo do serviço geológico dos EUA apontam para número muito maior. A ONU calcula 1,8 milhão de afetados e pede mais recursos, enquanto o resgate segue em meio à instabilidade política do país.

Redação Brazuca News 05 de July de 2026, 01:52 23 visualizações
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Terremotos na Venezuela matam milhares e deixam 1,8 milhão precisando de ajuda, diz ONU
Foto: Doruk Aksel Anıl / Pexels License

Dois terremotos em sequência atingiram o centro-norte da Venezuela em 24 de junho de 2026 e transformaram bairros inteiros da costa do Caribe em escombros. O epicentro ficou perto do litoral, próximo a Caracas, e o estado de La Guaira concentrou a maior destruição. Dez dias depois, equipes de dezenas de países ainda vasculhavam prédios desabados em busca de sobreviventes, e o número de mortos seguia subindo a cada dia.

Os dois tremores ocorreram com menos de um minuto de diferença. O primeiro teve magnitude 7,2; o segundo, 7,5. A combinação derrubou edifícios em La Guaira e em Caraballeda e comprometeu sistemas de água e energia ao longo da faixa litorânea próxima a Caracas. Mais de 600 réplicas foram registradas desde então, incluindo um abalo de magnitude 4,6 ao norte de Caraballeda, que voltou a assustar a população durante as operações de busca.

Um balanço em disputa.

Os números variam conforme a fonte e a data. Em 29 de junho, as autoridades venezuelanas contabilizavam 1.719 mortos, 5.034 feridos e 15.866 desabrigados. Dias depois, no começo de julho, a presidente interina Delcy Rodríguez elevou o balanço oficial para 2.595 mortos e 12.400 feridos.

Especialistas suspeitam que o total real seja bem maior. O sistema PAGER, do Serviço Geológico dos Estados Unidos, que estima vítimas com base na intensidade e na população exposta, projetou que as mortes poderiam ultrapassar 10 mil. Em reportagem sobre os necrotérios lotados de Caracas, a CNN citou uma médica legista que classificou a contagem oficial como uma grave subnotificação, afirmando que os registros não chegariam a um terço das mortes reais. A ABC News informou que cerca de 50 mil pessoas seguiam sem paradeiro conhecido.

Mesmo com a janela crítica de 72 horas já ultrapassada, os resgates continuaram. Mais de 6.400 pessoas foram retiradas com vida, segundo a ONU. Em La Guaira, socorristas encontraram uma criança de 3 anos viva após seis dias sob os escombros. Também em La Guaira, Aaron Levi, de 21 anos, foi resgatado depois de 106 horas preso, em uma operação que envolveu equipes da Venezuela, do México e de El Salvador.

Delcy Rodríguez insistiu em manter as operações abertas. "Hoje recuperamos pessoas vivas e, portanto, as operações não estão sendo suspensas", declarou a presidente interina, segundo a Al Jazeera.

Necessidades que "explodem"

A escala do desastre humanitário aparece nos dados da ONU. O organismo estima que 1,8 milhão de pessoas precisam de ajuda humanitária nos seis estados atingidos, entre elas 680 mil crianças. Cerca de mil edifícios foram danificados ou destruídos, incluindo hospitais, e mais de 400 escolas ficaram inutilizadas. Os sistemas de abastecimento de água foram comprometidos numa região onde o calor acelera o risco de doenças.

O Acnur, agência da ONU para refugiados, alertou que, à medida que o número de mortos aumenta, as necessidades disparam. O Unicef afirmou precisar de 52 milhões de dólares apenas para a resposta ao terremoto e enviou um primeiro carregamento de 47 toneladas com kits de saúde, sistemas de purificação de água, tendas e material médico. Segundo o fundo, com mais recursos seria possível salvar mais vidas e alcançar mais crianças. A agência lembrou que seu apelo mais amplo para a Venezuela em 2026, de 137,6 milhões de dólares, estava apenas 35% financiado antes mesmo dos tremores.

A resposta internacional foi ampla. As autoridades venezuelanas afirmaram ter recebido apoio de 24 países, com mais de 500 toneladas de suprimentos, cerca de 2.700 socorristas estrangeiros e aproximadamente 86 equipes com cães farejadores, somados a dezenas de milhares de trabalhadores de emergência locais.

Desastre em meio à crise política.

O resgate avança num contexto político incomum. Delcy Rodríguez assumiu como presidente interina em 5 de janeiro de 2026, dias depois de Nicolás Maduro ser capturado em uma ação militar dos Estados Unidos, conforme noticiou a Al Jazeera. Ela se tornou a primeira mulher a exercer os poderes da Presidência na história venezuelana. Tanto Rodríguez quanto Maduro sustentam que ele continua sendo o titular legal do cargo.

Rodríguez condenou a operação que retirou Maduro do poder, mas o governo de Donald Trump sinalizou que trabalharia com ela por ora. Essa combinação, de um Estado enfraquecido e de um comando de transição, pesa sobre a capacidade de organizar abrigos, distribuir água e manter hospitais funcionando enquanto milhares de famílias dormem ao relento.

Para os brasileiros nos Estados Unidos, o desastre atinge um vizinho sul-americano e uma comunidade venezuelana numerosa espalhada pelo continente. A tragédia também expõe como um terremoto de grande porte, somado a uma crise política, multiplica o número de desalojados e amplia os fluxos migratórios que já marcam a região. As agências humanitárias avisam que a fase de emergência apenas começa: com centenas de réplicas, sistemas de água danificados e milhares de desaparecidos, a contagem de vítimas deve mudar por semanas, e a reconstrução tende a se estender por muito mais tempo.

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