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Economia

Inflação nos EUA sobe a 4,2% em maio, a maior em 3 anos — e o tomate já subiu 32% no ano

O índice de preços ao consumidor dos EUA subiu 4,2% em 12 meses até maio, puxado pela gasolina (+40,5% no ano). No supermercado o aperto é mais seletivo: o tomate fresco está 32% mais caro que há um ano e a seção de frutas e verduras subiu 6,1%, enquanto ovos e laticínios recuaram.

Redação Brazuca News 27 de June de 2026, 00:15 5 visualizações
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Inflação nos EUA sobe a 4,2% em maio, a maior em 3 anos — e o tomate já subiu 32% no ano
Foto: Greta Hoffman / Pexels License

O Bureau of Labor Statistics (BLS) informou que o índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos subiu 4,2% nos 12 meses encerrados em maio de 2026, a maior taxa anual desde abril de 2023. No mês, o índice avançou 0,5%. Foi a terceira aceleração mensal seguida da inflação cheia, e o motor principal não foi o supermercado: a energia respondeu por mais de 60% do aumento mensal, com a gasolina 40,5% mais cara que um ano antes.

Para a família brasileira que mora em Denver ou Seattle, a leitura prática tem duas camadas. A primeira é o tanque: encher o carro custa muito mais do que custava no ano passado, e isso aperta o orçamento de quem depende de carro para trabalhar. A segunda é a mesa — e aí o quadro é mais seletivo do que a manchete de 4,2% sugere.

No supermercado, o aperto é em itens específicos

O índice de alimentos consumidos em casa (food at home, a conta do mercado) subiu apenas 0,1% em maio e acumula alta de 2,7% em 12 meses, segundo o BLS. É uma alta bem menor que a inflação geral. O peso maior está em itens pontuais que aparecem direto no carrinho do brasileiro.

O caso mais visível é o tomate fresco. O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) registrou preço 32,0% mais alto em maio de 2026 do que em maio de 2025 — o maior salto entre os grupos de alimentos acompanhados. A seção de frutas e legumes como um todo subiu 6,1% no ano, segundo o BLS, o ritmo mais forte dentro do grocery.

Nas proteínas, a alta foi mais contida no mês: carne suína +1,0%, aves +1,3% e pescados/frutos do mar +1,2% de abril para maio, conforme o USDA. No acumulado de 12 meses, o grupo de carnes, aves, peixes e ovos subiu 1,8% — abaixo da inflação geral. A carne bovina é o ponto fora da curva no ano: está 12,9% mais cara que em maio de 2025.

O que está mais barato

Nem tudo subiu. O grupo de laticínios e derivados caiu 1,0% em 12 meses, segundo o BLS. E os ovos, que viraram símbolo da carestia em 2025, recuaram com força: o USDA aponta queda de mais de 35% no preço de maio frente ao ano anterior, depois dos picos provocados pela gripe aviária. Para quem cozinha em casa, isso significa que ovo e leite — base de muita receita — voltaram a pesar menos no orçamento.

O contraste explica por que a sensação no caixa varia tanto de uma compra para outra. Quem leva muito tomate, salada e fruta sente um aperto real; quem se apoia em ovo, laticínio e frango inteiro (cujo preço caiu cerca de 2% no ano) sofre menos.

Tarifas, energia e o que vem pela frente

Economistas atribuem parte da pressão sobre bens às tarifas de importação, que encareceram produtos ao longo do último ano. No relatório de maio, porém, os preços de bens essenciais (core goods) recuaram pela primeira vez em 14 meses, com queda em carros novos, móveis, roupas femininas, remédios e TVs. Para analistas citados pela imprensa econômica, o sinal é de que o repasse mais agudo das tarifas pode já ter ficado para trás.

O grande vilão da vez é a energia. A escalada do conflito com o Irã empurrou o petróleo, e a gasolina disparou 7,0% só em maio. Esse choque é o que sustenta a manchete de 4,2% — e o que mais afeta o caixa de quem roda muito de carro entre casa, trabalho e escola.

O USDA projeta alta de 2,8% nos preços de alimentos em casa em 2026, com faixa entre 1,4% e 4,4%. É um ritmo próximo ao histórico recente, o que sugere que o grocery não deve explodir — mas também não deve recuar de forma generalizada.

Como o brasileiro pode amortecer o golpe

Algumas escolhas práticas ajudam a segurar a conta do mês. Trocar o tomate fresco, no pico de preço, por tomate enlatado ou em molho rende economia em receitas cozidas. Apoiar mais o cardápio em ovos, laticínios e cortes de aves — que estão entre os itens que caíram ou subiram pouco — reduz o impacto da inflação seletiva. Comparar o preço por libra entre redes (Costco e Walmart costumam levar vantagem em volume) e priorizar frutas e legumes da estação, que tendem a custar menos, completa a estratégia.

Há ainda um amortecedor do lado da renda enviada ao Brasil. O dólar fechou perto de R$ 5,17 em 26 de junho, e o real acumula valorização de cerca de 5,8% em 12 meses ante a moeda americana, segundo dados de mercado e do Banco Central. Na prática, cada dólar remetido hoje rende menos reais do que rendia há um ano — um detalhe que pesa para quem manda dinheiro à família e que ajuda a entender por que o orçamento do imigrante depende tanto do câmbio quanto do preço do supermercado nos EUA.

O próximo relatório de inflação do BLS, referente a junho, deve mostrar se a alta da gasolina persiste e se o grocery segue contido. Por ora, o recado para a mesa do brasileiro é claro: o aperto está concentrado no tanque de gasolina e em alguns itens frescos, não no carrinho inteiro.

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