Colorado pode passar de uma para várias unidades de detenção de imigrantes nos próximos meses. Documentos internos do ICE e contratos obtidos por ações de transparência indicam até três novos centros no estado — nas cidades de Hudson, Walsenburg e na reserva de Ignacio —, o que somaria milhares de leitos aos cerca de 1.530 que já existem em Aurora, segundo reportagens da Rocky Mountain PBS e do Colorado Newsline.
O ponto mais avançado do plano fica em Hudson, no condado de Weld, a cerca de 50 quilômetros a nordeste de Denver. A antiga Hudson Correctional Facility, prédio de 1.200 leitos fechado desde 2014, deve reabrir com o nome de Big Horn. Documentos obtidos pela ACLU de Colorado mostram que o ICE emitiu um contrato de "serviços completos de detenção" para a empresa privada GEO Group em 1º de dezembro, no valor de cerca de US$ 39 milhões por seis meses, conforme noticiou a CBS Colorado.
A segunda unidade prevista fica em Walsenburg, ao sul de Pueblo: a Huerfano County Correctional Facility, prisão desativada com capacidade para 752 pessoas, operada pela empresa CoreCivic. A terceira é a Southern Ute Indian Adult Detention Center, em Ignacio, perto de Durango, onde os documentos previam acrescentar 28 leitos.
Somadas, as novas instalações ampliariam a capacidade de detenção do ICE em Colorado em milhares de leitos e triplicariam o número de vagas no estado, de acordo com a Rocky Mountain PBS e o Westword. Hoje a única unidade em funcionamento é a da GEO Group em Aurora, que recentemente subiu de 1.360 para 1.530 leitos.
O dinheiro vem de uma lei federal aprovada por republicanos no Congresso, que destinou US$ 45 bilhões à expansão da detenção de imigrantes, parte do esforço de deportação em massa do governo Trump, segundo a Rocky Mountain PBS. Boa parte dos documentos liberados está fortemente censurada, e datas exatas de abertura permanecem incertas.
Reação de autoridades e da comunidade
A Southern Ute Indian Tribe negou qualquer acordo com o ICE. Em comunicado de 19 de agosto de 2025 citado pela Rocky Mountain PBS, a tribo afirmou que "não foi notificada nem consultada antes da divulgação dessa informação" e que não houve "discussões entre o Conselho Tribal e as autoridades federais sobre o assunto".
Os senadores por Colorado John Hickenlooper e Michael Bennet, ao lado da deputada Brittany Pettersen, pediram que o Departamento de Segurança Interna (DHS) abandone os planos para Hudson. Em carta noticiada pelo Colorado Newsline, os parlamentares alertaram que um centro em área rural pode atrasar processos judiciais, limitar o acesso a advogados e dificultar o contato dos detidos com a família.
Timothy Macdonald, diretor jurídico da ACLU de Colorado, resumiu à CBS Colorado as dúvidas que persistem sobre o projeto: "Quando eles planejam abri-los? Como vão deter as pessoas?". Protestos contra a unidade de Hudson ocorrem desde que os planos vieram a público.
O que isso muda — e seus direitos
Para quem vive em Denver e região sem status migratório definido, mais leitos significam maior chance de quem é parado acabar detido — e, muitas vezes, em locais distantes que dificultam encontrar advogado e falar com a família. Saber o que fazer antes de qualquer abordagem reduz o risco.
- Em casa: ninguém é obrigado a abrir a porta sem um mandado assinado por um juiz. Peça que o documento seja passado por baixo da porta e confira se traz o nome correto e a assinatura de um juiz (não apenas de um agente do ICE).
- Direito ao silêncio: a pessoa pode dizer que deseja permanecer calada e falar com um advogado. Não é preciso responder sobre país de nascimento ou situação migratória, nem assinar qualquer papel sem entender o conteúdo.
- Plano de emergência: tenha um número de advogado anotado, deixe combinado quem cuidará dos filhos e guarde cópias de documentos importantes com alguém de confiança.
- Se um familiar for detido: é possível localizá-lo pelo sistema oficial de busca de detidos do ICE e procurar apoio jurídico. Distância e transferências entre unidades tornam ainda mais importante acionar um advogado rapidamente.
O plano de expansão ainda evolui, e nem todas as datas estão confirmadas. Fontes oficiais e organizações locais de defesa do imigrante acompanham os próximos passos.
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