Um novo conjunto de dados publicado pelo Deportation Data Project em 9 de junho de 2026 atualizou as informações do ICE até março deste ano — e os números confirmam o que muitos brasileiros já estão sentindo na pele: nunca antes o risco de deportação foi tão alto nos Estados Unidos.
Os números que assustam
Segundo a análise do Deportation Data Project, as deportações realizadas dentro do território americano cresceram cinco vezes em relação ao nível que existia antes da posse de Trump. Mais impactante ainda: as chamadas street arrests — prisões feitas pelo ICE fora de cadeias e presídios — aumentaram onze vezes, incluindo abordagens em bairros residenciais, tribunais de imigração e durante check-ins regulares com o próprio ICE.
No ano fiscal de 2025 (de outubro de 2024 a setembro de 2025), o ICE deportou ao todo 442.637 pessoas, cerca de 171 mil a mais do que no ano anterior, segundo dados orçamentários apresentados ao Congresso americano e reportados pelo Axios. Apesar de ser um número historicamente alto, ainda fica bem abaixo da meta de 1 milhão de deportações por ano prometida por Trump em campanha. E o próprio ICE já declarou que essa é exatamente a meta para o próximo ano fiscal.
Sistema de detenção em expansão acelerada
Para dar conta do volume, o sistema de detenção do ICE também explodiu. O American Immigration Council aponta que o número de pessoas detidas em qualquer dia cresceu mais de 75% em um ano, chegando a um recorde de 73 mil detidos em meados de janeiro de 2026. Para comportar tanta gente, o ICE passou a usar 104 novas instalações ao longo de 2025 — um aumento de 91% na capacidade de detenção.
E as chances de sair antes de uma audiência despencaram. Em novembro de 2025, para cada pessoa solta aguardando julgamento, outras 14,3 foram deportadas diretamente da detenção — sem nem chegar a uma audiência. O mesmo relatório do American Immigration Council registra que 2025 foi o ano mais letal da história da detenção do ICE, e que 2026 caminha para ser ainda pior.
O impacto direto na comunidade brasileira
Os brasileiros estão no centro dessa tempestade. Segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil, mais de 3 mil compatriotas foram deportados dos EUA em 2025 — uma marca que dobrou em relação ao ano anterior. As remoções foram executadas por dezenas de voos fretados coordenados pelo ICE em parceria com o DHS, com destino a aeroportos brasileiros, incluindo o de Confins, em Belo Horizonte. Diante do volume, o governo federal brasileiro estruturou um programa de recepção humanitária para acolher deportados e repatriados vindos dos Estados Unidos.
O que mudou — e o que você precisa saber
Um ponto crítico para qualquer imigrante: o ICE rompeu com décadas de prática e passou a realizar operações em check-ins de imigração e dentro de tribunais. Lugares que antes eram considerados seguros ou ao menos neutros já não oferecem essa proteção. Isso significa que comparecer a um check-in agendado ou a uma audiência no tribunal de imigração passou a representar um risco real de prisão imediata.
- Consulte um advogado de imigração antes de qualquer check-in ou audiência para entender sua situação atual.
- Conheça seus direitos: você tem o direito de ficar em silêncio e de não abrir a porta para agentes sem mandado judicial assinado por um juiz.
- Monte um plano de emergência familiar com documentos importantes e contatos de confiança caso seja detido.
- Não assine nada sem orientação jurídica — especialmente ordens de deportação voluntária.
O cenário é desafiador, mas a informação é a melhor ferramenta de proteção. Se você mora nos EUA e tem qualquer situação migratória pendente, este é o momento de buscar orientação especializada, fortalecer a rede de apoio ao seu redor e se preparar. A comunidade brasileira é resiliente — e enfrentar esse momento com conhecimento faz toda a diferença.
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