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ICE em Denver e Seattle: o que mudou em 2026 e o que você precisa saber agora

O ICE intensificou drasticamente operações em Denver e Seattle em 2026. Um juiz federal obrigou a agência a retreinar agentes no Colorado, e uma estudante brasileira está entre as autoras de ação coletiva. Saiba seus direitos, os recursos disponíveis e como proteger sua família.

Redação Brazuca News 10 de June de 2026, 00:59 13 visualizações
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ICE em Denver e Seattle: o que mudou em 2026 e o que você precisa saber agora

Atenção, comunidade brasileira em Denver (Colorado) e Seattle (Washington): as operações do ICE nas duas regiões cresceram de forma alarmante nos últimos meses. Mas há boas notícias também — juízes federais, prefeituras e advogados estão agindo. Informe-se, compartilhe e proteja quem você ama.

O que está acontecendo em Denver e no Colorado

Entre 20 de janeiro e 15 de outubro de 2025, o ICE prendeu pelo menos 3.522 pessoas no Colorado — mais de quatro vezes as 843 prisões registradas no mesmo período de 2024, segundo dados obtidos via Lei de Liberdade de Informação (FOIA) e analisados pelo Deportation Data Project da UC Berkeley.

Um detalhe importante: a maioria dos presos não tinha condenações criminais anteriores. De acordo com os mesmos dados, apenas 37% tinham qualquer antecedente criminal — ou seja, 63% eram pessoas sem histórico.

O escritório do ICE em Denver contratou dezenas de novos agentes e chegou a fazer entre 15 e 25 prisões por dia, conforme revelou o ex-diretor assistente do escritório em depoimento judicial em março de 2026. As prisões em comunidades — em casas, locais de trabalho e espaços públicos — aumentaram 265% e passaram a representar 44% de toda a atividade do ICE no Colorado em 2025, ante 19% em 2024.

Uma brasileira no centro da batalha judicial

Entre os rostos dessa crise está Caroline Dias Gonçalves, estudante de 19 anos da Universidade de Utah, nascida no Brasil e nos Estados Unidos desde os 7 anos de idade. Ela foi presa pelo ICE em junho de 2025 após uma abordagem policial no condado de Mesa, ficou 15 dias detida no centro de detenção de Aurora e pagou fiança de US$ 2.000. Caroline é uma das autoras da ação coletiva movida contra o governo federal no Colorado.

Vitória judicial importante: ICE obrigado a retreinar agentes

Em maio de 2026, o juiz federal R. Brooke Jackson, em Denver, deu uma decisão histórica: determinou que o ICE retreine todos os seus oficiais autorizados a fazer prisões sem mandado no Colorado em até 45 dias. Agentes que não concluírem o treinamento ficam proibidos de efetuar esse tipo de prisão até lá.

Na decisão de 60 páginas, o juiz concluiu que o ICE continuava prendendo pessoas sem mandado sem antes avaliar individualmente se cada uma representava risco de fuga — uma violação das ordens judiciais anteriores.

A ação que levou a essa decisão foi movida pela ACLU do Colorado, junto com os escritórios Meyer Law Office e Olson Grimsley Kawanabe Hinchcliff & Murray, em outubro de 2025.

O prefeito de Denver age para proteger moradores

Em 26 de fevereiro de 2026, o prefeito de Denver, Mike Johnston, assinou uma ordem executiva determinando que a Polícia de Denver intervenha para deter agentes do ICE que usem força excessiva ou coloquem civis em risco. Nas palavras do prefeito:

"Para proteger Denver, se virmos qualquer agente do ICE usando força excessiva contra um morador, vamos intervir para deter esse agente."

A ordem também exige que os policiais de Denver usem câmeras corporais para documentar a atividade do ICE e que o departamento investigue acusações criminais contra agentes federais.

Além disso, a lei estadual do Colorado proíbe que a polícia local coordene com o ICE ou compartilhe informações pessoais de residentes com a agência, exceto em investigações criminais.

O centro de detenção do ICE em Aurora — gerido pela empresa privada GEO Group — tinha entre 1.100 e 1.300 pessoas detidas em abril de 2026.

O que está acontecendo em Seattle e Washington

A situação no estado de Washington também é séria. Segundo análise do Centro de Direitos Humanos da Universidade de Washington (UW), com base em documentos obtidos via FOIA, as prisões na área de responsabilidade do ICE em Seattle — que cobre Alaska, Oregon e Washington — saltaram de menos de 250 no final de 2024 para quase 2.250 no último trimestre de 2025.

Só no estado de Washington, quase 2.000 pessoas foram presas pelo ICE desde que Trump voltou ao poder — comparado a cerca de 800 no mesmo período do ano anterior.

Fazendas e escolas sob pressão

Em abril de 2026, uma onda de fiscalizações do ICE atingiu fazendas agrícolas no oeste de Washington, especialmente no condado de Whatcom, afetando trabalhadores rurais e deixando proprietários em alerta.

Em janeiro de 2026, relatos de atividade do ICE em Seattle fizeram quatro escolas do sul da cidade entrarem em protocolo de confinamento por várias horas: Mercer International Middle School, Aki Kurose Middle School, Cleveland STEM High School e Maple Elementary. Uma professora da escola South Shore PK-8, no bairro Rainier Beach, relatou que alguns alunos já haviam se retirado por medo, e outros estavam em risco de fazer o mesmo.

Voos de deportação aumentam

A organização La Resistencia, em Seattle, monitorou em dezembro de 2025 três a quatro voos de deportação por semana saindo do Boeing Field — ante apenas um por semana no ano anterior. O UW Center for Human Rights documentou que o ICE usa a base militar Joint Base Lewis-McChord (JBLM), no estado de Washington, como ponto de partida para voos militares de deportação desde janeiro de 2025.

Proteções locais em Seattle e King County

Nem tudo são más notícias. Seattle tem proteções importantes:

  • O King County (onde fica Seattle) só cumpre ordens de detenção do ICE se acompanhadas de um mandado judicial federal — regra em vigor desde 2014.
  • A cidade de Seattle mantém uma política conhecida como "don't ask" (Ordenança 121063, de 2003): funcionários municipais não perguntam sobre status migratório dos residentes.

Seus direitos — onde quer que você esteja

Independentemente do seu status migratório, você tem direitos constitucionais nos EUA. Guarde estes pontos:

  1. Você tem o direito de ficar em silêncio. Não responda perguntas sobre sua origem, como entrou no país ou seu status de imigração.
  2. Você tem o direito de falar com um advogado antes de responder qualquer pergunta — mesmo no trabalho, mesmo se o empregador der permissão de entrada ao ICE.
  3. Não assine nada sem consultar um advogado.
  4. Documente tudo que puder: número do agente, data, local, o que foi dito.

Recursos de emergência — salve estes números

Se você está em Seattle:

A Prefeitura de Seattle mantém a Deportation Defense Hotline:

📞 1 (844) 724-3737
Segunda a sexta, das 6h às 18h
Para reportar atividade do ICE ou CBP, ou acessar recursos de emergência.

Faça um plano de segurança familiar

A Prefeitura de Seattle recomenda que famílias imigrantes criem um "plano de segurança familiar". Isso inclui:

  • Designar um contato de emergência alternativo para a escola de seus filhos
  • Guardar documentos importantes das crianças em local acessível a outros familiares de confiança
  • Combinar um ponto de encontro e uma pessoa de referência caso algo aconteça

Se você está no Colorado:

Procure a ACLU do Colorado e os escritórios de advocacia que movem a ação coletiva em defesa de imigrantes presos sem mandado: Meyer Law Office e Olson Grimsley Kawanabe Hinchcliff & Murray.

O cenário mais amplo

A lei orçamentária federal recentemente aprovada reservou cerca de US$ 170 bilhões para reforço da fiscalização migratória e US$ 75 bilhões especificamente para o ICE. Isso indica que as operações podem se intensificar ainda mais nos próximos meses em todo o país.

Mas as batalhas judiciais mostram que é possível reagir. A decisão do juiz Jackson no Colorado é um exemplo real de como o sistema de Justiça pode impor limites ao ICE. Fique informado, conheça seus direitos e não enfrente isso sozinho.

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