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Colorado quase dobra vagas de detencao do ICE com novo centro em Hudson

A GEO Group abriu o centro Big Horn, em Hudson, sob contrato de cinco anos com o ICE avaliado em US$ 528,7 milhoes. A unidade eleva a capacidade de detencao de imigrantes no estado para cerca de 2.720 vagas e faz parte de um plano federal que pode passar de 4 mil.

Redação Brazuca News 21 de July de 2026, 20:48 6 visualizações
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Colorado quase dobra vagas de detencao do ICE com novo centro em Hudson
Foto: Joshua Brown / Pexels License

O Colorado ganhou mais um centro de detenção de imigrantes. A GEO Group, empresa privada que administra prisões, colocou em operação em meados de julho a unidade Big Horn, em Hudson, cerca de 48 quilômetros a nordeste de Denver. A companhia anunciou no dia 13 de julho que assinou um contrato de cinco anos com o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), avaliado em cerca de US$ 528,7 milhões. Com isso, a capacidade de detenção de imigrantes no estado quase dobra, para aproximadamente 2.720 vagas.

O prédio não é novo. Funcionou como Hudson Correctional Facility na década de 2000 e fechou em 2014. Fica no condado de Adams e pertence à empresa imobiliária Highlands REIT, que passou a arrendá-lo para a GEO Group. Segundo a CBS Colorado, a unidade tem capacidade para 1.200 pessoas detidas. Somada ao centro de Aurora, também tocado pela GEO Group e com mais de 1.500 vagas, a estrutura de detenção do estado ultrapassa 2.700 leitos.

Por que isso pesa para o imigrante brasileiro??

Centros como o de Aurora e agora o de Hudson são para onde vão as pessoas capturadas em operações de imigração no Colorado, à espera de audiência, deportação ou liberação sob fiança. Brasileiros sem status regular que sejam parados, presos ou entregues ao ICE podem acabar nessas unidades. Mais vagas significam, na prática, mais espaço para deter gente dentro do próprio estado, sem transferência imediata para fora do Colorado.

A GEO Group tratou o negócio como oportunidade comercial. George Zoley, presidente-executivo da empresa, afirmou que a unidade Big Horn deve desempenhar um papel importante para atender à necessidade de mais leitos federais de processamento de imigração. A companhia projeta receita de cerca de US$ 85 milhões por ano no primeiro exercício completo de operação.

Um plano estadual bem maior

O centro de Hudson é só uma peça. Documentos internos do ICE citados pela imprensa local descrevem uma estratégia para elevar a capacidade de detenção no Colorado de 1.360 para mais de 4 mil vagas. O plano inclui uma unidade de 1.400 leitos em Walsenburg, um pequeno centro de 28 vagas em Ignacio e a ampliação do centro de Aurora para cerca de 1.530 leitos.

  • Hudson (Big Horn): cerca de 1.200 vagas, contrato de cinco anos com a GEO Group.
  • Aurora: ampliação prevista para cerca de 1.530 vagas.
  • Walsenburg: nova unidade de 1.400 vagas.
  • Ignacio: centro menor, de 28 vagas.

Reação política dividida..

A expansão virou disputa. Os senadores federais John Hickenlooper e Michael Bennet e a deputada Brittany Pettersen cobraram da secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, o abandono do plano em Hudson. Do outro lado, o escritório da deputada federal Lauren Boebert declarou apoio: "Nóss apoiamos o ICE.""

Organizações de direitos civis criticaram a forma como a unidade entrou em funcionamento. Olivia Mendoza, da ACLU do Colorado, classificou o episódio como mais um exemplo vergonhoso do fanatismo anti-imigrante do governo Trump, apontando o que chamou de abertura discreta da unidade de Hudson.

No dia 15 de julho, cerca de 200 manifestantes foram à reunião do conselho municipal de Hudson para protestar contra a reabertura do presídio como centro de detenção. Entre eles estava a ativista Jeanette Vizguerra, que já esteve detida na unidade de Aurora.

Inspeção estadual e tensão local..

O estado tenta ampliar sua fiscalização sobre esses centros. O governador Jared Polis sancionou lei aprovada pela Assembleia Geral do Colorado que amplia o poder do estado de realizar inspeções de saúde e segurança em centros federais de detenção de imigrantes. A medida se soma a uma série de políticas de santuário adotadas pelo estado nos últimos anos e permite que agências de saúde examinem condições de confinamento, alimentação e assistência médica nas unidades.

A tensão em torno da detenção de imigrantes no estado já resultou em episódios de violência. No dia 17 de julho, segundo a polícia de Aurora, um funcionário da GEO Group foi preso sob suspeita de atirar em uma manifestante do lado de fora do centro de detenção da cidade, que foi atingida no peitoito. O caso reforça o clima de confronto que cerca a expansão.

Para o imigrante que vive no Colorado, o recado é direto: a estrutura de detenção do estado está crescendo rápido, e o debate sobre condições, direitos e fiscalização dessas unidades vai continuar quente nos próximos meses. Quem tem processo em aberto ou dúvida sobre sua situação deve procurar assistência jurídica de imigração de confiança antes de qualquer contato com autoridades federais.

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