Os preços ao consumidor nos Estados Unidos caíram 0,4% em junho, a maior queda mensal desde abril de 2020. A inflação acumulada em 12 meses recuou de 4,2% para 3,5%. O dado saiu nesta terça-feira e veio melhor do que os economistas esperavam.
Antes de comemorar, leia o próximo parágrafo.
O alívio tem data de validade — e ela já venceu
A queda quase toda veio de um item só: energia caiu 5,7% no mês, e a gasolina despencou 9,7%. Isso aconteceu em junho, quando havia um cessar-fogo com o Irã e o petróleo recuou.
Só que o cessar-fogo ruiu no dia 8 de julho. A gasolina já voltou a subir: a média nacional está em US$ 3,88 o galão, contra US$ 2,98 antes da guerra. E o Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto da energia do mundo — voltou ao centro do risco.
Ou seja: o número de hoje é uma fotografia do mês passado. O seu tanque já está em outro preço.
Vale lembrar também que, mesmo com a queda de junho, a gasolina segue 26,7% mais cara do que há um ano.
O que subiu e o que caiu no seu bolso
- Comida: subiu 0,2% no mês e acumula +3,0% em 12 meses. A carne bovina está 11,8% mais cara que um ano atrás. No supermercado, a conta não caiu.
- Aluguel: esta é a boa notícia de verdade. A moradia subiu apenas 0,12% no mês — a menor variação desde janeiro de 2021. O aluguel de residência subiu 0,15% no mês e 2,8% em 12 meses. O aperto do aluguel está finalmente cedendo.
- Carro usado: caiu 0,23% no mês e está 1,8% mais barato que há um ano.
- Passagem aérea: subiu pouco no mês, mas segue 26,5% acima de um ano atrás — quem planeja viajar ao Brasil sente isso.
- Conta de luz: caiu 1% no mês, mas ainda está 4% acima de doze meses atrás.
O núcleo desacelerou
O chamado núcleo da inflação — que exclui alimentos e energia, justamente os itens mais voláteis — ficou praticamente estável no mês e desacelerou para 2,6% em 12 meses, ante 2,9% em maio.
É esse número que o banco central olha. E ele indica que a inflação de fundo está mais comportada do que a manchete sugeria.
"Esta é uma boa notícia para o país, para o Federal Reserve e para muitos americanos de renda média", disse Heather Long, economista-chefe da Navy Federal Credit Union.
Mas não espere juro mais barato
Aqui está o que mais afeta quem vai financiar um carro, comprar casa ou carregar dívida no cartão: o Fed não vai cortar os juros.
Depois do dado, o mercado passou a apostar em cerca de 86% de chance de o banco central manter a taxa na reunião de 29 de julho — e em zero chance de corte até o fim do ano. O debate hoje não é entre manter e cortar. É entre manter e subir.
Para Jeffrey Roach, economista-chefe da LPL Financial, o dado benigno do núcleo torna "menos provável que o Fed suba os juros nas próximas reuniões". Ellen Zentner, do Morgan Stanley, resumiu: o número "dá espaço para respirar" e facilita a política de esperar para ver.
Traduzindo para o seu bolso: crédito, cartão e financiamento de carro seguem caros.
E aqui, no Colorado e em Washington?
O governo não publica índice mensal para a região metropolitana de Denver — o recorte disponível é o do Oeste urbano, que engloba os dois estados. Ali, os preços caíram 0,25% no mês e acumulam +3,21% em 12 meses, e a gasolina caiu 7% no mês.
Já a região de Seattle puxa para cima: a inflação em 12 meses está em 4,5%, acima da média nacional. Quem mora lá sente mais a conta do que o número nacional sugere.
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