A Block, dona do Cash App, aceitou pagar US$ 45 milhões em um acordo com 46 estados por práticas enganosas no aplicativo. O Colorado receberá US$ 1.663.539 e Washington ficará com cerca de US$ 1,8 milhão. Os anúncios saíram em 8 de julho.
O Cash App é uma das carteiras digitais mais usadas por quem acabou de chegar ao país, justamente porque abre conta sem exigir muito documento. Foi exatamente essa porta larga que os procuradores-gerais apontaram como o problema.
O que a empresa fez
Segundo as acusações, a Block dizia ao usuário que o Cash App tinha proteção equivalente à de um banco — o que não era verdade. A verificação de identidade era mínima, o que facilitou a criação de contas por fraudadores. Não havia atendimento por telefone, e usuários desesperados acabavam ligando para números falsos plantados por golpistas.
A promoção "Cash App Fridays" facilitava golpes, e a empresa sabia disso. Transações não autorizadas não eram investigadas e o dinheiro não voltava, como a lei exige. Contas de usuários legítimos ficavam travadas por semanas, com o dinheiro da pessoa preso lá dentro.
"O acordo de hoje obriga a Block a implementar medidas antifraude e a oferecer suporte ao cliente para resolver problemas de conta", disse o procurador-geral do Colorado, Phil Weiser.
O procurador-geral de Washington, Nick Brown, foi mais direto: "A Block apresentou o Cash App como uma alternativa segura a um banco tradicional, mas não criou as proteções robustas que a lei de Washington exige."
Washington teve um segundo acordo
O estado fechou dois acordos no mesmo dia. Além da fatia do acordo nacional, a Block pagará US$ 20 milhões referentes a fraude no seguro-desemprego da pandemia: entre março e agosto de 2020, ao menos US$ 22 milhões em benefícios do estado foram desviados por contas do Cash App, com criminosos usando dados pessoais roubados de moradores de Washington.
O que muda no aplicativo
- A empresa é obrigada a investigar reclamações de fraude e reembolsar transações não autorizadas.
- Precisa manter atendimento humano ao vivo: pessoa real por telefone ao menos 13,5 horas por dia e por chat ao menos 18 horas por dia.
- Tem de parar com alegações falsas de segurança e com marketing que aumente o risco de golpe.
- Deve orientar o usuário sobre os golpes mais comuns.
O dinheiro que pode chegar até você
Os cheques de reembolso vêm de uma ordem separada, do Consumer Financial Protection Bureau, que em janeiro de 2025 determinou que a Block pagasse até US$ 120 milhões — com mínimo de US$ 75 milhões — em reembolsos a consumidores lesados, mais US$ 55 milhões de multa.
Tem direito quem teve transferência não autorizada que a empresa não investigou, quem teve reembolso negado indevidamente e quem ficou com a conta travada durante investigações demoradas.
E o mais importante: não é preciso fazer nada para receber. "Os consumidores não precisarão tomar nenhuma providência neste momento para obter a indenização", diz o CFPB.
É aí que mora o próximo golpe. Se alguém ligar, mandar mensagem ou e-mail pedindo taxa, senha, código de verificação ou dados do seu login para "liberar" o cheque do acordo, é fraude. O reembolso legítimo não cobra nada de ninguém.
Dúvidas sobre a indenização podem ser tiradas pelo telefone (888) 832-1301. Reclamações no Colorado vão para coag.gov/file-complaint ou pelo (720) 508-6000.
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