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Seu pedido de asilo é confidencial por lei — e um processo acusa o governo de repassar dados de solicitantes ao Irã

Ação protocolada na corte federal de Washington alega que, desde março de 2025, autoridades americanas entregam em reuniões mensais informações de iranianos detidos — incluindo conteúdo de pedidos de asilo de perseguidos por religião, orientação sexual e protestos. O DHS nega. O caso testa a proteção que vale para todo solicitante, de qualquer nacionalidade.

Redação Brazuca News 08 de July de 2026, 12:11 5 visualizações
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Seu pedido de asilo é confidencial por lei — e um processo acusa o governo de repassar dados de solicitantes ao Irã
Foto: cottonbro studio / Pexels License

Existe uma regra do sistema de asilo americano que todo solicitante deveria conhecer: o conteúdo do seu pedido é confidencial por regulamentação federal — o governo é proibido de revelar ao seu país de origem que você pediu asilo, e muito menos o que contou no formulário. Um processo protocolado na terça-feira (7) na corte federal de Washington acusa o governo de quebrar exatamente essa regra — e o desfecho interessa a qualquer pessoa com um I-589 pendente, de qualquer nacionalidade.

A ação, movida pelo Iranian American Legal Defense Fund com representação do Public Citizen Litigation Group, alega que, desde março de 2025, autoridades americanas realizam reuniões mensais com representantes do Irã — por meio da Seção de Interesses iraniana, que opera via embaixada do Paquistão — repassando informações detalhadas sobre imigrantes iranianos detidos e visados para deportação. Segundo a petição, cerca de 150 nomes de detidos teriam sido entregues, e detidos levados pelo ICE a encontros com autoridades iranianas relataram que elas já conheciam o conteúdo de seus pedidos de asilo — incluindo casos de perseguição por conversão religiosa, orientação sexual e participação nos protestos “Mulher, Vida, Liberdade” de 2022.

Os réus são o Departamento de Estado e o DHS e seus titulares — o secretário de Estado Marco Rubio e o secretário de Segurança Interna Markwayne Mullin —, além do diretor interino do ICE, David Venturella. A resposta do governo veio em maiúsculas: “Essas alegações de que o ICE compartilhou registros de pedidos de asilo com o governo iraniano são FALSAS”, disse um porta-voz do DHS, afirmando que o órgão apenas facilita o acesso consular de rotina.

Por que a confidencialidade existe

A proteção não é cortesia: as regulamentações federais do fim dos anos 1990 proíbem divulgar informações que revelem a existência ou o conteúdo de um pedido de asilo porque a exposição pode custar a vida do solicitante — e de quem ficou. “O Congresso tornou essas proteções de confidencialidade obrigatórias precisamente porque vidas dependem delas”, resume Ali Rahnama, diretor-executivo interino do fundo autor da ação. A petição sustenta que o repasse põe os expostos “em risco de perseguição, tortura e morte” e ameaça familiares no Irã.

Os números que cercam o caso: cerca de 600 iranianos detidos no último ano, três voos de deportação ao Irã desde setembro, e o reconhecimento por Teerã de um acordo para o possível retorno de até 400 pessoas. Segundo a ação, o compartilhamento continuou mesmo após os ataques militares de fevereiro.

O que isso significa para o solicitante brasileiro

O Brasil não é o Irã — mas o direito em teste é o mesmo que protege o brasileiro que pediu asilo alegando, por exemplo, perseguição por facção, violência doméstica ou orientação sexual:

  • A regra: o governo americano não pode revelar ao governo do seu país de origem (nem a terceiros não autorizados) que você pediu asilo, nem o conteúdo do pedido. Isso vale em entrevistas consulares, trocas diplomáticas e verificações.
  • Se suspeitar de exposição — por exemplo, se autoridades do país de origem demonstrarem conhecer seu caso —, relate ao advogado imediatamente: a violação da confidencialidade pode fundamentar proteções adicionais, incluindo a Convenção contra a Tortura.
  • Documente qualquer indício (datas, nomes, o que foi dito) — no processo iraniano, são exatamente esses relatos que sustentam a ação.

Os próximos passos do caso: o Public Citizen planeja pedir uma liminar para congelar o repasse de informações e obrigar a notificação individual de quem teve dados compartilhados — permitindo que essas pessoas busquem proteção. O DHS nega tudo, e a corte federal de D.C. decidirá. Para os milhões de solicitantes de asilo no país, o processo vale como lembrete de mão dupla: a confidencialidade é um direito forte no papel — e agora um tribunal vai dizer o quanto ela vale na prática.

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