Quem dirige na Grande Seattle sentiu o 1º de julho no bolso por duas frentes. O imposto estadual da gasolina em Washington subiu 2%, de 55,4 para 56,5 centavos por galão — e, no mesmo dia, terminou o período de tolerância das câmeras de velocidade em zonas de obras: a primeira infração passou a custar US$ 125, e as seguintes, US$ 248.
Gasolina: o aumento agora é automático, todo ano
Este foi o primeiro reajuste do mecanismo de correção automática anual criado por lei — a partir de agora, o imposto sobe a cada mês de julho sem necessidade de novo voto do Legislativo ou da população. Somando as demais taxas estaduais, a cobrança chega a cerca de 59 centavos por galão; com o imposto federal, o motorista paga cerca de 77,4 centavos em tributos a cada galão abastecido, segundo a KOMO News.
Um mês de arrecadação do imposto rende cerca de US$ 250 milhões, destinados ao Motor Vehicle Fund, que financia obras rodoviárias — cerca de 5% vai para cidades e condados. O senador estadual Marko Liias, democrata de Edmonds, defendeu a cobrança: “Quando perdemos uma ponte porque ela não está sendo mantida, quando temos que fechar pistas porque não conseguimos conservá-las, isso é ainda pior para a economia”. Donos de carro elétrico não pagam na bomba, mas pagam taxa adicional de US$ 225 por ano na renovação das placas.
Câmeras em zona de obras: acabou o aviso, começou a multa
As câmeras de velocidade em zonas de obras operam nas rodovias do estado desde abril de 2025, mas até junho a primeira infração gerava apenas advertência. Desde 1º de julho, ela custa US$ 125 — e a reincidência, US$ 248. O programa já registrou 85.000 infrações, cerca de 77.000 delas de primeira vez, com as câmeras posicionadas mais de 900 vezes em cerca de 50 canteiros de obras. O plano é chegar a 15 câmeras até 2027, e o programa está autorizado até 2030.
Vale entender como o sistema funciona, porque a multa não é entregue na hora: as câmeras só fotografam quando há equipe trabalhando na pista; policiais da Washington State Patrol revisam as imagens antes da autuação; e a notificação chega pelo correio, em nome do dono do veículo, em até 30 dias. Ela pode ser paga ou contestada online — quem muda de endereço e não atualiza o registro do veículo corre o risco de perder o prazo de contestação sem nem saber da multa.
“Simplesmente não temos policiais suficientes para estar em cada zona de obras 24 horas por dia em todo o estado. Vemos isso como um multiplicador de força”, disse o chefe da Washington State Patrol, John Batiste. Em 2025, ele já havia afirmado que o objetivo “não é escrever multas e penalizar motoristas; é fazer motoristas desatentos reduzirem a velocidade e salvar vidas”.
Do lado da renda: mínimos de Renton e Everett subiram
O mesmo 1º de julho trouxe reajuste de salário mínimo em duas cidades da região, segundo o Departamento de Trabalho e Indústrias de Washington (L&I). Em Renton, empregadores de 15 a 500 funcionários passaram a pagar no mínimo US$ 21,57 por hora (antes US$ 20,57). Em Everett, empregadores de 15 a 499 funcionários agora pagam US$ 19,77 (antes US$ 18,77).
Para comparação regional, os pisos que já valiam em 2026 e não mudaram em julho: Seattle paga US$ 21,30 por hora para todos os empregadores; Tukwila, US$ 21,65; Burien, US$ 21,63 para empresas com mais de 500 funcionários; e o King County não incorporado, US$ 20,82 nas empresas maiores. Quem trabalha em Renton ou Everett deve conferir o contracheque das próximas semanas — o reajuste vale desde o dia 1º.
No conjunto, a semana resume a equação de julho para o trabalhador da Grande Seattle: encher o tanque ficou um pouco mais caro em caráter permanente, a multa por excesso de velocidade em obra virou dinheiro de verdade, e duas cidades da região aumentaram o piso de quem trabalha nelas.
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