Kleber Mendonça Filho colocou o cinema brasileiro de novo no centro da temporada de premiações de Hollywood com "O Agente Secreto", thriller estrelado por Wagner Moura, que acumulou quatro indicações ao Oscar 2026 e virou um dos maiores fenômenos recentes do país fora dele. Para os brasileiros que vivem nos Estados Unidos, o filme deixou de ser notícia distante: já está disponível no streaming e por aluguel nas principais plataformas americanas.
As quatro indicações vieram nas categorias de Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Direção de Elenco, segundo o Deadline e o The Hollywood Reporter. O número igualou o recorde de "Cidade de Deus", que também recebeu quatro indicações em 2004. Foi a segunda vez na história que uma produção brasileira concorreu a Melhor Filme, o prêmio principal da Academia.
A indicação de Wagner Moura a Melhor Ator carrega peso adicional: ele se tornou o primeiro intérprete brasileiro reconhecido nessa categoria. Antes do Oscar, o ator já havia vencido o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cannes de 2025 e o Globo de Ouro de Melhor Ator em Drama. Conhecido do público americano pelo papel de Pablo Escobar na série "Narcos", da Netflix, Moura se firmou como um dos rostos brasileiros mais reconhecíveis em Hollywood.
A cerimônia do 98º Oscar aconteceu em 15 de março de 2026, no Dolby Theatre, em Los Angeles. "O Agente Secreto" chegou como um dos favoritos, mas encerrou a campanha sem estatueta, como registrou a Agência Brasil. Na categoria de Melhor Filme Internacional, o Brasil perdeu para "Valor Sentimental", da Noruega, e não conseguiu emplacar vitórias em sequência depois de "Ainda Estou Aqui", de Walter Salles, ter levado o mesmo prêmio no ano anterior.
A ausência de troféus não apagou o alcance do longa. Mendonça Filho é hoje um dos diretores brasileiros mais respeitados no circuito internacional, com passagens anteriores por Cannes com "Aquarius", "Bacurau" e o documentário "Retratos de Fantasmas". Em Cannes, em 2025, além do prêmio de ator para Moura, ele levou o de Melhor Direção, tornando-se o segundo cineasta brasileiro a conquistá-lo, depois de Glauber Rocha em 1969.
Do que trata o filme?
"O Agente Secreto" se passa em 1977, no auge da ditadura militar brasileira, e é ambientado principalmente em Recife, cidade natal do diretor. Moura vive um especialista em tecnologia que retorna à cidade sob identidade falsa, tentando recomeçar a vida e escapar de um passado perigoso enquanto o país vive o período mais duro do regime. A chegada durante o Carnaval mistura clima de festa e vigilância, num retrato de paranoia e resistência.
O tema conversa diretamente com o momento que o cinema brasileiro atravessa nos Estados Unidos. Assim como "Ainda Estou Aqui", que também revisitou a ditadura, o filme de Mendonça Filho trata memória histórica como forma de resistência, um assunto que ganha ressonância entre brasileiros que acompanham à distância os debates sobre democracia no país.
Recorde de bilheteria dentro e fora do Brasil.
No Brasil, o longa levou cerca de 2,5 milhões de espectadores às salas e arrecadou por volta de R$ 52 milhões (aproximadamente US$ 9,9 milhões) até meados de março de 2026, segundo dados reunidos por veículos de imprensa. O orçamento de produção foi de cerca de R$ 27 milhões (US$ 5 milhões), o que reforça o retorno expressivo.
Nos Estados Unidos, o filme estreou em circuito limitado pela distribuidora Neon em 26 de novembro de 2025 e superou a marca de abertura de "Ainda Estou Aqui" para uma produção brasileira, conforme reportagem do Screen Daily sobre a força recente do cinema nacional no exterior. O desempenho ajudou a consolidar uma sequência incomum de sucesso comercial para filmes brasileiros no mercado americano.
Onde assistir nos Estados Unidos?
Quem está nos Estados Unidos encontra "O Agente Secreto" no catálogo do Hulu, incluído na assinatura mensal do serviço. O filme também pode ser alugado ou comprado em plataformas como Amazon Video, Apple TV e Fandango at Home, para quem não tem o Hulu e prefere pagar por acesso avulso.
A distribuição funciona de forma diferente no Brasil, em que a Netflix, coprodutora do projeto, garantiu exclusividade e disponibilizou o longa para assinantes a partir de 7 de março de 2026, segundo a Variety. Ou seja, brasileiros que costumam acompanhar títulos pela Netflix da conta do país encontram o filme por lá, enquanto o acesso pelo serviço americano passa pelo Hulu e pelas locadoras digitais.
Para a comunidade brasileira nos Estados Unidos, a presença do filme nas premiações e nas plataformas americanas amplia a visibilidade da cultura do país no debate cultural local. Depois de "Ainda Estou Aqui" abrir caminho no Oscar, "O Agente Secreto" manteve o cinema brasileiro em evidência em Los Angeles e nas conversas do setor, com nomes como Moura e Mendonça Filho circulando por entrevistas em veículos americanos ao longo da temporada de premiações.
Com dois anos seguidos de presença forte na disputa do Oscar e recordes de bilheteria em casa e no exterior, o cinema brasileiro chega ao segundo semestre de 2026 com mais espaço nas plataformas de streaming que dominam o consumo doméstico nos Estados Unidos, o que facilita o acesso de quem vive na diáspora.
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