Dois terremotos atingiram o norte da Venezuela na noite de 24 de junho e mataram pelo menos 1.430 pessoas, segundo balanço divulgado pela ONU em 27 de junho. O órgão também contabilizou 3.238 feridos, números que as próprias autoridades esperam ver subir à medida que as equipes alcançam áreas ainda isoladas pelos escombros.
Os dois tremores ocorreram com menos de um minuto de diferença. O primeiro, de magnitude 7,2, foi seguido por um abalo de magnitude 7,5, o mais forte registrado na Venezuela desde 1900. O epicentro ficou na faixa costeira a oeste de Caracas, e a região de La Guaira, no litoral central, foi uma das mais atingidas.
Segundo a ONU, cerca de 8,6 milhões de pessoas sentiram tremores de intensidade moderada a severa, e 2,1 milhões estiveram na zona dos abalos mais fortes. O escritório humanitário da organização estimou em US$ 6,7 bilhões os danos físicos diretos, o equivalente a aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto do país.
A resposta do Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou o envio de uma missão humanitária de busca e resgate. "Vamos enviar, nesta sexta (26) pela manhã, uma missão humanitária de busca e resgate urbano", escreveu Lula nas redes sociais, conforme a Agência Brasil.
A missão saiu do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, em um avião KC-390 da Força Aérea Brasileira. De acordo com a Agência Brasil, o grupo reuniu 36 bombeiros militares de São Paulo, Minas Gerais e Paraná, quatro técnicos da Defesa Civil Nacional e quatro especialistas da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), além de cerca de nove toneladas de equipamentos.
Um segundo voo levou um hospital de campanha com equipe médica, medicamentos e material cirúrgico, além de 100 purificadores de água movidos a energia solar, segundo o governo brasileiro e a rede Al Jazeera. Antes do envio, Lula conversou por telefone com Delcy Rodríguez, que exerce a Presidência interina da Venezuela, para coordenar o apoio.
Estados Unidos prometem US$ 150 milhões
Os Estados Unidos anunciaram US$ 150 milhões em ajuda, segundo a NPR. O valor inclui US$ 100 milhões para um fundo humanitário da ONU voltado à Venezuela e US$ 50 milhões para organizações que já atuam no país.
O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o governo americano enviaria equipes de busca e resgate, incluindo grupos do condado de Fairfax, na Virgínia, e de Los Angeles, além de uma Equipe de Assistência a Desastres (DART). "Teremos uma resposta de todo o governo. Será grande, será rápida e será eficaz", disse Rubio, conforme a NPR e a Al Jazeera.
Operação internacional de grande porte
A ONU informou que 44 equipes de busca e resgate urbano, com 2.245 especialistas e 140 cães farejadores de 27 países, foram mobilizadas para a Venezuela. Entre os países que enviaram socorristas estão Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Equador, México, Peru, República Dominicana, Espanha, França, Itália, Alemanha, Reino Unido e Turquia, além dos próprios Estados Unidos.
O Vaticano também se somou ao esforço. Segundo o Vatican News, o papa enviou ajuda às vítimas e manifestou solidariedade às famílias atingidas pela destruição.
Reportagens da imprensa internacional mostraram prédios e trechos de estradas que desabaram em Caracas e em La Guaira. Nos primeiros dias, muitos moradores passaram a noite nas ruas, sem energia elétrica, à procura de parentes entre os escombros.
Por que isso importa para o brasileiro nos EUA
A tragédia mobilizou ao mesmo tempo o Brasil e os Estados Unidos, os dois países que mais marcam o dia a dia do imigrante brasileiro. A Venezuela é vizinha do Brasil, e a comunidade latino-americana nos EUA acompanha de perto a resposta humanitária e os apelos por doação.
Desastres dessa escala costumam pressionar fluxos migratórios na região nos meses seguintes, à medida que famílias buscam abrigo fora das áreas destruídas. Os números de mortos e feridos seguem em revisão, e organizações de ajuda alertam que o balanço final pode mudar conforme as buscas avançam.
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