Os Estados Unidos abrigam o maior colégio eleitoral brasileiro fora do país. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 264.702 eleitores com domicílio nos EUA estão registrados para a eleição de 2026, o equivalente a 28,9% de todo o eleitorado brasileiro no exterior. É a maior fatia entre todos os países, à frente de Portugal e do Japão.
O número coloca a comunidade brasileira nos Estados Unidos no centro da votação de outubro fora do Brasil. As duas maiores concentrações estão no Nordeste americano e na Flórida: Boston reúne 53.290 eleitores inscritos e Miami, 42.503, de acordo com os dados do TSE.
O eleitorado brasileiro no exterior bateu recorde neste ciclo. O TSE contabilizou 1.023.351 registros até maio, somando inscrições aptas, canceladas e suspensas. Desse total, 883.969 eleitoras e eleitores estavam aptos a votar, e o eleitorado efetivo no exterior chegou a 917.066 pessoas. O crescimento foi de 186.969 eleitores em relação ao pleito anterior, alta de 26,8%, conforme o Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal (TRE-DF).
Quem mora fora vota só para presidente
Há uma regra que distingue o voto no exterior do voto no Brasil. Pela Resolução TSE nº 23.759/2026, o eleitor com domicílio eleitoral fora do país vota exclusivamente para presidente e vice-presidente da República. Não há voto para governador, senador, deputado federal ou estadual.
A votação no exterior segue o mesmo calendário do Brasil. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro de 2026. Havendo segundo turno, ele ocorre em 25 de outubro.
As regras de obrigatoriedade também valem para quem está fora. O voto é obrigatório para eleitores de 18 a 70 anos e facultativo para jovens de 16 e 17 anos, pessoas com mais de 70 anos e não alfabetizados, conforme detalhou o veículo NSC Total a partir das normas eleitorais.
Onde votar pode mudar
Tradicionalmente, as seções eleitorais no exterior funcionam em embaixadas, consulados e repartições ligadas ao governo brasileiro. Para 2026, o TSE abriu espaço para mudar esse desenho em locais com muita gente.
O Ministério das Relações Exteriores teve até segunda-feira, 22 de junho, para pedir ao TSE a instalação de seções eleitorais em endereços fora das sedes diplomáticas, segundo comunicado do tribunal. O objetivo declarado é ampliar a capacidade de atendimento e facilitar o acesso do eleitor à votação em cidades com grande concentração de brasileiros — caso de Boston e Miami.
Na prática, isso significa que o local de votação pode não ser o consulado mais próximo. O eleitor que pretende votar precisa confirmar o endereço da sua seção quando o TSE divulgar a relação final dos pontos de votação no exterior.
O que o brasileiro nos EUA deve checar agora
O prazo para tirar o título ou regularizar a situação eleitoral já se encerrou. O cadastro foi fechado em 6 de maio de 2026, conforme o TSE. Quem não solicitou o título pela Zona Eleitoral do Exterior nem regularizou a inscrição dentro do prazo não poderá votar em outubro.
Para quem está com o título em dia, valem alguns cuidados práticos antes da eleição:
- Confirmar em qual cidade está o domicílio eleitoral registrado, já que o voto ocorre no local de inscrição no exterior.
- Acompanhar a divulgação oficial dos endereços das seções, que podem ficar fora do consulado.
- Levar documento de identificação no dia da votação.
- Quem não puder comparecer deve justificar a ausência pelos canais da Justiça Eleitoral para evitar pendências no título.
O peso da comunidade nos Estados Unidos vem de um movimento mais amplo. O eleitorado brasileiro no exterior mais que quadruplicou em 16 anos, segundo levantamento citado pelo veículo Meio News a partir dos dados eleitorais. O Itamaraty estima cerca de 5,1 milhões de brasileiros vivendo fora do país, o que indica que o eleitorado registrado ainda representa parte da diáspora.
No ranking por país, depois dos Estados Unidos vêm Portugal, com 134.325 eleitores (14,6%), e Japão, com 88.344 (9,6%). Juntos, os três países concentram mais da metade do eleitorado brasileiro no exterior.
As informações sobre prazos, locais de votação e regras estão nas páginas oficiais do TSE e nos canais consulares do Ministério das Relações Exteriores, que centralizam o atendimento eleitoral de quem vive fora do Brasil.
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