Quem mora em Seattle ou Denver sabe que o verão pode surpreender — mas o que está acontecendo esta semana vai além do comum. Pela primeira vez que meteorologistas conseguem lembrar, as duas cidades onde vive grande parte da comunidade brasileira nos Estados Unidos enfrentam ao mesmo tempo uma onda de calor que quebra recordes históricos, com alertas oficiais em vigor e riscos concretos para a saúde.
Seattle: recordes de mais de 60 anos caem no fim de semana
O Serviço Nacional de Meteorologia (NWS) emitiu um Aviso de Calor (Heat Advisory) para a maior parte do oeste de Washington, com vigência de domingo, 14 de junho, às 11h, até segunda-feira, 16 de junho, às 5h da manhã (horário do Pacífico). A previsão aponta para máximas de cerca de 87°F (31°C) no domingo e 90°F (32°C) na segunda-feira em Seattle — valores que derrubam registros que resistiam há décadas: o recorde para 14 de junho era de 86°F, estabelecido em 1988; para o dia 15, era de 88°F, de 1963.
O meteorologista Harrison Rademacher, do NWS Seattle, alertou que as temperaturas devem atingir, em várias partes do oeste de Washington, "de meados dos anos 80 até os altos anos 90 em Fahrenheit", com os arredores das Cascatas e o sul do Puget Sound chegando perto dos 100°F. As mínimas noturnas devem ficar nos baixos 60°F (cerca de 16°C) — bem acima do que é normal para junho na região.
Quem planeja ir ao primeiro jogo da Copa do Mundo realizado no Lumen Field nesta segunda-feira (Bélgica x Egito, ao meio-dia) precisa redobrar os cuidados: o horário da partida coincide exatamente com o pico de calor do dia. Rademacher recomendou a torcedores que "se mantenham hidratados, usem roupas leves e protetor solar", com atenção especial a idosos e crianças.
Denver: três dias seguidos de temperatura recorde — só a sexta vez na história
Do outro lado das Montanhas Rochosas, a situação é ainda mais extrema. Denver registrou 101°F (38°C) na terça-feira, 15 de junho, quebrando o recorde histórico para aquela data por quatro graus. Na quarta, 16, os termômetros marcaram novamente 100°F, e a previsão para quinta-feira, 17, apontava para mais do mesmo — o que tornaria esta sequência apenas a sexta vez na história da cidade em que se atingem 100°F ou mais por três dias consecutivos.
O registro deste ano é ainda mais impressionante porque nunca antes Denver havia atingido três dias seguidos acima de 100°F tão cedo no calendário. O calor normal para meados de junho em Denver fica em torno de 82°F (28°C), o que significa que as temperaturas atuais estão mais de 10 graus acima da média. A CBS Colorado e o Denver7 reportaram avisos de calor em vigor para o corredor do Front Range — incluindo as áreas de Denver, Boulder, Fort Collins e as planícies do nordeste — com alertas ativos das 11h às 18h.
Além do calor intenso, a qualidade do ar também preocupa: um Ozone Action Day foi declarado para o corredor urbano do Front Range, com condições quentes, ensolaradas e de ar estagnado favorecendo a formação de ozônio em níveis prejudiciais à saúde, especialmente para crianças e pessoas com problemas respiratórios.
O que fazer: orientações para a comunidade brasileira
A NOAA e o NWS reforçam que o calor extremo mata mais americanos por ano do que tornados, furacões ou enchentes combinados. A boa notícia é que a maioria das mortes é evitável com cuidados simples:
- Hidrate-se sempre, mesmo sem sentir sede — evite bebidas alcoólicas e açucaradas em excesso.
- Fique em locais com ar-condicionado durante o pico de calor (entre 11h e 19h). Em Seattle, as bibliotecas públicas e centros comunitários do Condado de King funcionam como cooling centers (centros de resfriamento) durante alertas de calor. Em Denver, o mesmo vale para bibliotecas e espaços municipais.
- Nunca deixe crianças ou animais dentro de carros, mesmo por alguns minutos.
- Verifique vizinhos idosos e pessoas que moram sozinhas — segundo pesquisas da Universidade de Washington, as mortes na onda de calor de 2021 ocorreram predominantemente entre idosos isolados, sem ar-condicionado.
- Sinais de alerta de golpe de calor (emergência): pele seca e quente sem suor, confusão mental, temperatura corporal acima de 103°F (39,4°C). Ligue 911 imediatamente.
- Em Seattle, o número 211 conecta gratuitamente a recursos de emergência e pode indicar o cooling center mais próximo.
Por que isso está acontecendo agora?
Segundo meteorologistas, a combinação de um forte bloqueio atmosférico de alta pressão e as temperaturas já acima da média que marcaram o início de 2026 (o período de janeiro a abril foi o mais quente já registrado em Denver) criou as condições para essa onda excepcional. Para Seattle, chegar aos 90°F em meados de junho acontece em apenas cerca de 22% dos anos desde 1945 — o que mostra que, embora não seja inédito, o evento deste ano é significativamente mais intenso do que o esperado.
A previsão para ambas as cidades aponta para um alívio no fim de semana de 21 e 22 de junho, com a chegada de frentes frias e possibilidade de chuva. Mas até lá, o conselho é o mesmo: hidrate, proteja-se do sol e cuide de quem está ao redor.
Comentários
Faça login para comentar
EntrarSeja o primeiro a comentar!